Finalmente, Ursula von der Leyen assumiu publicamente aquilo que muitos europeus já sentem há décadas: a Europa age como uma colônia dos Estados Unidos. A declaração é grave, mas ainda mais grave é o fato de ter chegado tarde demais. A dependência europeia deixou de ser apenas estratégica — tornou-se estrutural, humilhante e perigosa.
Malundo Kudiqueba
A Europa vive à sombra da América. Militarmente fraca, politicamente submissa e tecnologicamente dependente, o continente terceirizou sua soberania. As decisões centrais de defesa passam pela OTAN, sob liderança americana. A segurança europeia depende de armas, sistemas, satélites e inteligência produzidos nos Estados Unidos. Sem Washington, a Europa estaria exposta, desorganizada e vulnerável.
No campo tecnológico, a situação é ainda mais vergonhosa. A Europa importa plataformas digitais, semicondutores, sistemas de vigilância, softwares estratégicos e infraestrutura crítica americana. As grandes empresas de tecnologia que moldam o mundo não são europeias. O futuro digital do continente está nas mãos de interesses externos.
Essa dependência não é fruto do acaso, mas de décadas de complacência política, falta de visão estratégica e conforto econômico. Enquanto os Estados Unidos investiam pesado em defesa e inovação, a Europa apostava na estabilidade eterna e no bem-estar interno, ignorando o preço da dependência.
Dizer agora que será construída uma “Europa independente da América” soa mais como confissão de fracasso do que como promessa de futuro. A independência não se declara; constrói-se com investimento, coragem política e ruptura com a submissão histórica.
A maior vergonha da Europa não é reconhecer sua condição colonial. É ter aceitado essa condição por tanto tempo — e ainda depender de quem a controla para tentar escapar dela.
Manchester, 20 de janeiro de 2026.
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