Defender o Português Angolano

Angola e portugal

Malundo Kudiqueba

Os angolanos precisam assumir, sem medo nem complexos, a sua forma própria de falar português. Assim como os brasileiros falam o português do Brasil com orgulho, nós devemos afirmar o português angolano como expressão legítima da nossa identidade cultural.

Somos angolanos. Não somos portugueses. A nossa história, o nosso contexto social e as nossas línguas nacionais moldaram uma forma única de comunicar. Falar português à maneira angolana não é erro, não é ignorância, nem falta de educação — é identidade.

É irrealista e injusto tentar impor a alguém que nasceu, cresceu e vive em Angola que fale exatamente como em Portugal. A língua não é uma camisa emprestada; ela adapta-se ao corpo de quem a veste. O português falado em Angola carrega a nossa vivência, o nosso ritmo, a nossa forma de ver o mundo.

O angolano deve falar português à sua maneira, na sua vertente, com o seu sotaque, a sua musicalidade e sua identidade.
Imitar os portugueses não é evolução. É negação de si mesmo.

Os americanos falam inglês, mas não imitam os ingleses.
Os brasileiros falam português, mas não imitam os portugueses.
Os portugueses não imitam os brasileiros.
Cada povo moldou a língua à sua realidade, à sua história, à sua alma.

A língua não é um museu.
A língua é um corpo vivo.
E toda língua viva muda, adapta-se, cresce e ganha identidade própria.

O português falado em Angola é legítimo.
Não é errado.
Não é inferior.
Não precisa de autorização de Lisboa para existir.

Quando um angolano corrige outro angolano por “não falar como português”, ele não está a defender a língua — está a atacar a sua própria identidade. Está a repetir o discurso do colonizador com orgulho, como se isso fosse sinal de inteligência.

A língua portuguesa em Angola já não é só portuguesa.
É angolana.
Carrega as nossas expressões, o nosso ritmo, a nossa forma de pensar e sentir o mundo.

Exigir que o angolano apague isso é exigir silêncio cultural.
É pedir que ele desapareça dentro da língua.

Nenhum povo se desenvolveu imitando o sotaque de outro.
Nenhum povo se afirmou pedindo desculpa por existir.

Angola não precisa falar como Portugal para ser respeitada.
Precisa apenas assumir-se sem medo.

Porque quando um povo passa a respeitar a sua própria voz,
o mundo inteiro aprende a escutá-lo.

Birmingham, 07 de janeiro de 2026

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