Elon Musk comporta-se como se o simples facto de ser o homem mais rico do mundo lhe desse o direito de mandar no mundo inteiro. Como se a fortuna lhe tivesse concedido um título invisível de dono da Terra, das pessoas, das ideias e até do futuro da humanidade. Antes de continuar, convém lembrar algo básico, algo muito importante: o mundo já existia antes de Elon Musk nascer e continuará a existir depois de Elon Musk desaparecer.
Malundo Kudiqueba
Musk age como um imperador moderno, convencido de que pode interferir em países, desestabilizar democracias, opinar sobre tudo e todos, financiar, apoiar ou dar palco a movimentos radicais da extrema-direita, como se a política mundial tivesse, de repente, encontrado um gestor não eleito, acima dos povos, das leis e da História.
O mundo não precisa de ricos que só pensam em fazer mal aos outros, que acumulam poder sem responsabilidade, que confundem dinheiro com sabedoria e influência com moral. A riqueza extrema, quando não tem empatia, transforma-se em arrogância tóxica. E a arrogância, quando tem meios ilimitados, torna-se perigosa.
Se Elon Musk não está bem na Terra, que vá para Marte. Foi ele próprio que vendeu esse sonho. Que vá para o espaço, para um universo exclusivo, fechado, elitista, onde só os ricos tenham acesso, onde possa criar um planeta à sua imagem: sem pobres, sem contradições, sem vozes incómodas. Um mundo artificial, frio, metálico — talvez perfeito para quem vê a humanidade com desprezo pelo facto de ter de partilhar o mesmo espaço com os pobres.
Este mundo aqui, o real, pertence aos pobres e aos ricos. Pertence aos que acordam cedo para trabalhar, aos que lutam para pagar renda, aos que sobrevivem sem foguetes, sem acções na bolsa, sem contas offshore. Pertence às pessoas comuns que nunca irão ao espaço, mas que seguram o planeta todos os dias com o seu trabalho invisível.
Falando em nome dos pobres do mundo — que raramente têm microfone, mas sempre têm feridas — deixo claro: não precisamos de salvadores bilionários, precisamos de justiça, dignidade e respeito. O futuro da humanidade não pode ser decidido por meia dúzia de homens ricos com complexos de deuses.
Elon Musk pode criar o seu próprio mundo.
Mas este aqui não lhe pertence.
Malundo Kudiqueba
Birmingham, 30 de dezembro de 2025
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