As bancadas da oposição abandonaram a sessão plenária da Assembleia da República de Moçambique em sinal de protesto contra o debate do novo pacote de reformas fiscais. A decisão foi tomada depois de os deputados opositores defenderem o adiamento da discussão, alegando a inexistência de uma auscultação prévia à população.
O impasse instalou-se entre a bancada da Frelimo, favorável à continuidade do debate, e os partidos da oposição, que manifestaram forte descontentamento. O deputado do PODEMOS considerou que a proposta contraria a vontade popular, prejudica o crescimento económico e fragiliza o diálogo nacional inclusivo, sublinhando que o pacote não promove o auto-emprego nem protege os mais vulneráveis.
A Renamo questionou ainda a capacidade do parlamento em analisar, num curto espaço de tempo, um conjunto legislativo tão complexo, lembrando que o sistema fiscal afecta toda a sociedade. Já o MDM criticou as alterações por não respeitarem os entendimentos entre o sector privado e o Governo, alertando para impactos negativos na competitividade da produção nacional, sobretudo na agricultura, agro-pecuária e indústria.
Em resposta, a bancada governamental defendeu que a reforma pretende melhorar a arrecadação, combater a evasão fiscal e reforçar a transparência, integrando a Estratégia de Modernização e Alargamento da Base Tributária 2025-2027. O episódio evidencia as tensões políticas e reacende o debate sobre diálogo e representação popular no país.
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