Zumas no Parlamento: muda a filha, mantém-se a família

Zuma

A sua meia-irmã, Duduzile Zuma-Sambudla, tinha abandonado o cargo dias antes, depois de surgirem acusações de que teria persuadido 17 homens a inscreverem-se como mercenários para a Rússia na guerra da Ucrânia. Duduzile nega tudo, possivelmente com a mesma convicção com que se nega comer o último pedaço de bolo. Oficialmente, deixou o parlamento para se dedicar ao regresso dos sul-africanos retidos em Donbas.

Brumelda, menos conhecida do grande público — praticamente uma Zuma em versão “edição limitada” — chegou acompanhada de outros três deputados do MK. O partido garante que todos trazem “grande experiência e dedicação”, o que soa sempre bem, como anúncio de pasta de dentes. A nova deputada disse que pretende concentrar-se em assegurar bons serviços públicos, algo que, segundo ela, estudou. Uma promessa sensata, sobretudo num país onde os serviços públicos por vezes parecem ter sido montados ao domingo.

Enquanto Duduzile contava com um passado mais vistoso, tendo representado o país no Parlamento Pan-Africano, Brumelda estreia-se agora nos holofotes nacionais. A sua ascensão ocorre no meio do eco ainda fresco das revelações do governo sul-africano, que recebeu pedidos de socorro de vários cidadãos que se juntaram inadvertidamente a forças mercenárias — certamente a pior viagem internacional que podiam ter escolhido.

Assim, entre saídas forçadas, entradas sincronizadas e um elenco cada vez mais familiar, o parlamento sul-africano vai ganhando um toque de telenovela política. E como em qualquer boa novela, os Zumas continuam firmes no elenco principal.

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