Meus irmãos, hoje não trago elogios.
Hoje trago verdade.
E a verdade, quando dói, costuma ser a mais necessária.
Em Angola, há décadas que se repete a mesma frase, quase como se fosse um título de glória nacional:
“Angola é um país grande.”
Pois é, é grande.
Mas deixem-me perguntar-vos:
Grande em quê, exactamente?
Grande em território?
Grande em rios, florestas, petróleo, diamantes?
Grande em potencial?
Sim, isso todos sabemos.
Mas e o resto?
Será que somos um grande país naquilo que realmente importa?
Digam-me vocês:
O que vale ter um país gigante… se o povo continua pequeno nas oportunidades?
O que vale ter um mapa enorme… se a vida continua apertada para a maioria?
O que vale ter riqueza no subsolo… se há pobreza à superfície?
Meus irmãos, sejamos honestos uns com os outros:
Não se come território. Não se vive de mapas. Não se constrói futuro com geografia.
O que faz um país grande não é o tamanho da terra — é o tamanho daquilo que fazemos com ela.
Por isso, deixem-me perguntar outra vez:
Estamos a transformar Angola num grande país… ou estamos apenas a repetir que Angola é um país grande?
É diferente, muito diferente.
Um país grande pode até ser pobre.
Um grande país não aceita deixar o seu povo sofrer.
Um país grande pode ser saqueado.
Um grande país defende-se dos que o saqueiam.
Um país grande pode sobreviver no improviso.
Um grande país planeia o futuro com seriedade.
E vocês sabem isso tão bem quanto eu.
Então pergunto-vos, de coração aberto:
Queremos continuar a viver de frases feitas, ou queremos finalmente viver de progresso real?
Países pequenos — muito mais pequenos do que Angola — já ultrapassaram o mundo inteiro em educação, saúde, desenvolvimento humano, tecnologia.
Porquê?
Porque escolheram visão em vez de vaidade.
Escolheram trabalhar em vez de se gabar.
Escolheram construir em vez de justificar.
E nós, meus irmãos, o que escolhemos?
Continuar a repetir que “Angola é grande”?
Ou trabalhar todos os dias para fazer de Angola um grande país?
A verdadeira grandeza não vem do chão.
Vem das pessoas que o pisam.
E vocês, angolanos, merecem muito mais do que um país grande no mapa.
Merecem um país grande na vida real.
Pensem nisto.
E respondam-me, não a mim, mas a vocês mesmos:
O tamanho de Angola está a servir-vos, ou vocês é que continuam a servir o tamanho de Angola?
A conversa fica aqui.
A reflexão, essa, continua convosco.
Malundo Kudiqueba
Manchester, 10 de dezembro de 2025.
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