Defendo, com firmeza e sem medo das palavras, a restituição da nacionalidade a todos os angolanos brancos e seus descendentes que foram expulsos do país em circunstâncias traumáticas e profundamente injustas. Estas pessoas não abandonaram Angola por vontade própria; foram arrancadas da sua terra, do seu lar, da sua identidade. E hoje continuam a viver com uma ferida aberta que o Estado insiste em ignorar.
Malundo Kudiqueba
Estou profundamente desiludido com o silêncio ensurdecedor do Governo e da Oposição. Há temas que exigem coragem moral, maturidade política e sentido de justiça — este é um deles. Mas ambos preferem virar o rosto, talvez por receio das sensibilidades históricas, talvez por cálculo político. Seja qual for o motivo, o resultado é o mesmo: injustiça prolongada e memória apagada.
Por isso, venho publicamente apelar ao povo angolano: é tempo de apresentarmos uma proposta formal aos deputados de todas as bancadas parlamentares. Uma proposta que exija a devolução da nacionalidade a quem sempre pertenceu a esta terra, independentemente da cor da pele. Uma proposta que reconheça que Angola não se constrói com exclusão, mas com reconciliação.
Os angolanos brancos que nasceram no país não são estrangeiros; são parte da nossa história, parte da nossa cultura, parte da nossa identidade colectiva. Não se trata de política — trata-se de justiça. Não se trata de passado — trata-se de futuro.
Um país que se quer forte não teme a verdade. Um país que se quer unido não apaga os seus filhos. E um país que se quer respeitado não perpetua injustiças.
Apelo à consciência nacional: vamos juntos corrigir esta falha histórica. É tempo de Angola reconhecer todos os seus filhos — porque só assim seremos verdadeiramente uma nação inteira.
Manchester, 04 de dezembro de 2025.
Contacto: malundonicolau11@hotmail.com
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