No Reino Desunido, a união é apenas uma palavra do século passado
No chamado Reino Unido, há muito que a união deixou de ser um projecto político — tornou-se uma peça de museu. Hoje, vive-se no Reino Desunido, onde cada nação caminha com um pé na porta e outro na fronteira imaginária da independência. A união existe apenas nos discursos oficiais e nos arquivos empoeirados da história. É uma palavra antiga a fingir modernidade.
Malundo Kudiqueba
A Escócia olha para Londres como quem observa um vizinho tóxico: tolera porque tem de tolerar, mas sonha com o dia em que pode fazer as malas. O País de Gales reclama autonomia como quem pede ar para respirar. A Irlanda do Norte vive num equilíbrio tão frágil que até um sopro político de Westminster parece um terramoto. Chama-se Reino Unido, mas cada parte fala uma língua política diferente.
O governo britânico insiste que o país está unido. É uma união à força, colada com fita adesiva ideológica e arrogância imperial reciclada. Um reino que já não manda, mas continua a posar como se o mundo ainda girasse à sua volta. O Brexit não foi apenas uma porta fechada à Europa — foi uma porta aberta para a desordem interna. Desde então, o país discute consigo próprio como um casal à beira do divórcio.
A verdade é simples: no Reino Desunido, todos querem ser ouvidos, mas Londres fala sozinha. E quando um país fala sozinho, deixa de ser país.
O Reino Unido não está dividido. Está desfeito.
Birmingham, 03 de dezembro de 2025.
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