O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, sublinhou esta segunda-feira, em Luanda, a relevância do envolvimento directo das comunidades empresariais e financeiras da Europa e de África na construção de parcerias que tragam vantagens recíprocas e permitam responder, com rapidez, às necessidades de um continente maioritariamente jovem, dinâmico por natureza e com um potencial amplamente reconhecido.
Durante a sua intervenção no Fórum Empresarial União Africana – União Europeia, realizado à margem da 7.ª Cimeira entre os dois blocos, Massano afirmou que África atravessa actualmente um processo real de transformação. Contudo, apesar dos progressos alcançados, o continente continua a enfrentar um défice expressivo no sector das infra-estruturas, apontado como um dos principais obstáculos ao crescimento económico, à redução das assimetrias regionais e ao fortalecimento do comércio intra-africano.
Neste âmbito, elogiou iniciativas como a Global Gateway, que assumem compromissos concretos na mobilização de recursos para investimentos em infra-estruturas capazes de gerar oportunidades, atrair investidores, expandir mercados e aprofundar a integração económica, como demonstra o caso do Corredor do Lobito.
O ministro destacou que a linha férrea integrada neste projecto constitui um importante eixo logístico regional, ligando Angola, Zâmbia e República Democrática do Congo, com capacidade para movimentar mais de 20 milhões de toneladas de carga por ano. Segundo Massano, esta infraestrutura tem potencial para transformar a dinâmica comercial entre a costa atlântica e o interior do continente, além de abrir novos corredores de desenvolvimento económico.
“Os desafios são muitos, mas também as oportunidades — e é por isso fundamental o empenho da classe empresarial e de todos os intervenientes”, reforçou.
Compromisso com uma cooperação reforçada
No tocante às parcerias entre África e Europa, José de Lima Massano reiterou o interesse de Angola em aprofundar a cooperação internacional, estimular o investimento conjunto e promover um diálogo construtivo.
O governante afirmou que Angola está a redefinir a sua trajectória económica, com o objectivo de construir uma economia mais diversificada, integrada e voltada tanto para a região como para o contexto global. Esta nova orientação, sublinhou, confirma o compromisso do país em fortalecer a cooperação com o bloco europeu.
Massano explicou ainda que Angola continua empenhada em assegurar um futuro mais promissor para os seus cidadãos e em afirmar o seu papel enquanto actor regional e internacional — um propósito que, disse, é partilhado pelos demais países presentes no encontro.
O ministro lembrou que a Cimeira de Luanda surge após a definição da Visão Conjunta 2030, que expressa o compromisso de ambos os continentes na construção de uma parceria estratégica baseada na solidariedade, segurança, paz, desenvolvimento sustentável e prosperidade para as gerações actuais e futuras.
Ao longo dos dois dias de trabalho, assegurou, o foco será manter o diálogo e acelerar a implementação dessa visão conjunta, aproximando capital de oportunidades, ideias de inovação e ambição de realização — sobretudo nas áreas da energia, infra-estruturas, saúde, educação e corredores digitais.
“Este Fórum Empresarial UA–UE decorre num ano simbólico, em que celebramos 25 anos da parceria formal entre as duas Uniões e Angola assinala os 50 anos da sua Independência Nacional”, concluiu.
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