Não percebo qual é, afinal, a diferença entre a Venezuela e a Arábia Saudita. Dizem-nos, com toda a naturalidade, que a Venezuela é uma ditadura, enquanto a Arábia Saudita é tratada quase como uma democracia “respeitável”. Esta dualidade de critérios revela bem como a política internacional é menos sobre princípios e mais sobre interesses.
Malundo Kudiqueba
A Venezuela é criticada por falta de liberdades políticas, concentração de poder e eleições contestadas. Mas, quando olhamos para a Arábia Saudita, encontramos um regime absolutista, onde não há eleições nacionais, partidos políticos são proibidos, a liberdade de expressão é fortemente limitada e as mulheres só recentemente começaram a ter alguns direitos básicos. Ainda assim, o país é muitas vezes descrito por várias potências como um “parceiro estratégico” essencial.
O que explica esta diferença de tratamento? Simples: petróleo, alianças militares, investimentos e influência geopolítica. A Arábia Saudita é um actor central na economia mundial e no equilíbrio de poder no Médio Oriente. A Venezuela, pelo contrário, tornou-se incómoda para certas potências, e por isso o seu regime é mais facilmente rotulado de ditatorial.
Não se trata de defender um país nem atacar outro, mas de expor a incoerência. A questão não é moral: é política. Quem tem poder económico e estratégico recebe compreensão; quem não tem, recebe condenação. É esta a verdadeira dualidade de critérios que domina a diplomacia global.
De acordo com o jornalista Orlando Castro, a Arábia Saudita atingiu um número sem precedentes de execuções em 2024, com 345 pessoas executadas. Além disso, entre janeiro e junho de 2025, esse valor já chegou a 180 execuções.
Birmingham, 20 de novembro de 2025.
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