Os angolanos são mais fanáticos pelo Real Madrid e pelo Barcelona do que os próprios espanhóis

Lamine yamal

Malundo Kudiqueba

Os espanhóis, por outro lado, não incluem Angola no seu mapa mental. Mas há algo de grandioso nesta loucura colectiva. É a capacidade angolana de se apaixonar, de se envolver, de transformar o que é alheio em parte da sua identidade. O angolano não assiste — ele vive. O angolano não torce — ele sofre, vibra, ri e chora. É por isso que este povo merece ser estudado. Porque mesmo nas suas contradições, ele revela uma alma única, intensa, indomável.

Por outro lado vou levantar outra questão é: os angolanos não têm referências nacionais e adoptam as referências internacionais como suas. O povo está tão carente e sente a falta de bons exemplos no país. Soma-se a isso um certo complexo de inferioridade; o angolano tende a respeitar ou valorizar mais o estrangeiro do que o nacional. Talvez porque o país ainda procura um espelho onde se reconhecer. Ou talvez porque, em meio a tantas dificuldades, o sonho — mesmo que importado — é a única coisa que não custa nada.

O povo angolano é um espelho partido: cada pedaço reflete uma paixão diferente, um sonho diferente, uma esperança teimosa. É um povo que canta nas filas, dança nos funerais, ri das próprias dores e encontra alegria no improvável. Um povo que, mesmo sem ganhar, continua a celebrar.

E é por isso que Angola merece ser estudada — não pela pobreza que o mundo insiste em ver, mas pela riqueza humana que o mundo teima em ignorar.

O angolano não é apenas um fanático do Real Madrid ou do Barcelona. O angolano é o símbolo de um povo que transforma até a vitória dos outros em motivo para sorrir. E talvez, no fundo, isso seja a maior prova de força e de beleza de uma nação que ainda acredita que o amanhã pode ser melhor — mesmo que, por agora, o troféu esteja em Madrid ou Barcelona.

Wolverhamptom, 27 de outubro de 2027

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