Ninguém Rejeitaria as Medalhas se Viessem Acompanhadas de um Valor Monetário de Dois Milhões de Dólares

Matias damasio

Malundo Kudiqueba

As medalhas deveriam representar mérito, patriotismo e serviço ao país. Mas num país onde o mérito raramente paga as contas e a honra não enche o frigorífico, uma condecoração sem recompensa financeira soa a gesto simbólico sem substância. Muitos olharam para as medalhas e viram nelas não um reconhecimento, mas uma lembrança de que o mérito, em Angola, é gratuito — e o gratuito, infelizmente, perdeu prestígio.

Alguns transformaram a recusa em bandeira moral, mas a verdade é que não rejeitaram por valores — rejeitaram por falta de valor. Se o mérito viesse com cifrões, a consciência calar-se-ia em segundos. A honra teria lugar reservado na parede, e a moral, emoldurada ao lado do comprovativo bancário.

O país vive hoje uma inversão simbólica: as medalhas sem dinheiro valem menos que o silêncio com bolso cheio. O reconhecimento deixou de ser espiritual — passou a ser contabilístico.

Mas não se trata apenas de criticar quem aceitou ou quem recusou. Trata-se de entender o que isto revela sobre nós: uma nação onde o prestígio precisa de preço para ter peso. Não estou contra quem recebeu, nem contra quem recusou. Estou contra a hipocrisia. No fundo, o Presidente entregou medalhas, mas o que os angolanos realmente queriam era dinheiro.

Wolverhampton, 27 de Outubro de 2025

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