“Se a justiça existisse, as prisões estariam cheias de políticos e não de pobres.” — esta frase, atribuída a Nicolau Maquiavel, é uma bofetada moral na face da hipocrisia moderna. Revela a dura verdade de que a justiça, tantas vezes proclamada cega, parece ver demasiado bem quando o acusado é pobre e convenientemente distraída quando o réu tem poder.
Maquiavel, que conhecia a alma dos governantes, sabia que o poder tem o estranho dom de se absolver. O pobre rouba por necessidade e apodrece na cela; o político rouba por ambição e é convidado para conferências sobre ética. Que ironia! As leis, criadas em nome do povo, servem muitas vezes para o oprimir.
Num mundo verdadeiramente justo, o tamanho da culpa não seria medido pela conta bancária, mas pelo peso dos atos. A honestidade não seria exceção na política, mas regra de ouro. No entanto, a realidade é outra: a justiça veste toga, mas ajoelha-se diante do trono.
Enquanto o ladrão de pão é preso, o ladrão de sonhos é eleito. E a cada promessa vazia, a cada escândalo abafado, a fé do povo morre um pouco mais.
A frase de Maquiavel ecoa como uma sentença moral: a justiça que teme o poder é cúmplice da injustiça. O dia em que as prisões acolherem os corruptos com a mesma facilidade com que acolhem os famintos, talvez possamos dizer, sem ironia, que a justiça finalmente abriu os olhos.
Manchester, 26 de outubro de 2025.
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