Mariana Mortágua não se recandidata à liderança do Bloco de Esquerda – e Portugal mostra-se, mais uma vez, um país demasiado conservador. A política portuguesa continua a ser um território dominado por homens — e não apenas pelos que ocupam cargos, mas pelos que moldam as regras do jogo.
Ser mulher, em Portugal, é ter de provar o dobro para receber metade do reconhecimento. É viver sob o olhar de quem, mesmo no século XXI, acha que liderança feminina é sinónimo de fragilidade.
Num país onde o discurso progressista convive com práticas arcaicas, muitas mulheres na política enfrentam o dilema de ter de escolher entre a autenticidade e a aceitação. E, demasiadas vezes, escolhem sobreviver em vez de brilhar.
A verdade é dura: Portugal mudou na superfície, mas não no coração. Ainda há portas que se abrem com dificuldade quando quem bate nelas usa batom e não gravata.
Manchester, 25 de outubro de 2025.
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