Savimbi só foi derrotado quando ficou sem o apoio da comunidade internacional

Canadiano

Segundo Fowler, foi o trabalho minucioso de um painel de especialistas que reuniu e liderou que permitiu isolar completamente Jonas Savimbi da rede de apoios que o sustentava. “Savimbi ficou sem apoio internacional, sem combustível, armas e munições e, num curto espaço de tempo, o Governo legítimo de Angola conseguiu derrotá-lo no terreno e restaurar a paz e a estabilidade no país”, afirmou o diplomata em entrevista exclusiva que será publicada na íntegra na edição impressa do Jornal de Angola de segunda-feira, 13.

A declaração é significativa porque confirma aquilo que muitos analistas vinham a defender: a derrota militar da UNITA não se deveu apenas à força do Exército angolano, mas também ao cerco diplomático e financeiro imposto pela comunidade internacional. A partir de 1999, o Conselho de Segurança da ONU endureceu as sanções contra Savimbi, proibindo o comércio de diamantes provenientes das zonas sob controlo da UNITA — os chamados diamantes de sangue — e cortando as suas rotas de abastecimento através de países vizinhos.

Robert Fowler foi, nesse contexto, uma figura-chave. O seu relatório, conhecido como Fowler Report, denunciou a cumplicidade de redes internacionais que ajudavam a UNITA a financiar a guerra através do contrabando de diamantes e da compra ilegal de armamento. Essas revelações chocaram diplomatas e governos, levando a uma ação coordenada que isolou definitivamente o movimento rebelde.

Sem o apoio externo que durante anos lhe garantira a sobrevivência, Savimbi viu-se cada vez mais cercado. As suas forças, debilitadas e desmoralizadas, foram gradualmente derrotadas pelo exército angolano. A sua morte, em 2002, selou o fim de uma das guerras civis mais longas e destrutivas do continente africano.

O testemunho de Fowler confirma também o papel determinante que a diplomacia internacional teve na consolidação da paz em Angola. Ao contrário da narrativa frequentemente apresentada apenas em termos militares, a vitória do Governo angolano foi também uma vitória política e diplomática. O isolamento de Savimbi simbolizou a vitória da legitimidade institucional sobre a lógica da guerra e da ambição pessoal.

Mais de duas décadas depois, Angola continua a viver as consequências dessa vitória. A paz foi restaurada, mas o país ainda luta por uma reconciliação verdadeira — uma reconciliação que não se faz apenas com o silêncio das armas, mas com o reconhecimento honesto da história.

A entrevista de Robert Fowler, aguardada com expectativa, poderá ajudar a compreender melhor esse capítulo decisivo da história recente de Angola: o momento em que o mundo decidiu que já não era possível sustentar a guerra, e que Savimbi, o homem que tantas vezes desafiou o impossível, ficaria finalmente sozinho.

Fama & Poder com Jornal de Angola.

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