A pobreza, a corrupção e o crime continuarão a ser problemas geracionais em Angola — transmitidos de pais para filhos, de governante para governado, de patrão para empregado — enquanto não houver uma verdadeira mudança de mentalidade. Não se trata apenas de política, nem apenas de economia. O mal é mais profundo: é psicológico, é cultural, é mental.
Malundo Kudiqueba
A mãe de todos os problemas de Angola chama-se mentalidade.
Podemos mudar de líderes, mas se não mudarmos a forma de pensar, o resultado será sempre o mesmo com nomes diferentes. É o mesmo copo com outro rótulo.
O perfil psicológico dominante do angolano — e aqui falamos de uma tendência colectiva, não de um julgamento individual — é marcado por falta de criatividade e iniciativa. Há uma preferência enraizada por ser empregado, mesmo mal pago, do que arriscar ser patrão. O medo de falhar é maior do que a vontade de vencer. A mediocridade, muitas vezes, é recompensada. E quem tenta ser diferente, é visto com desconfiança, quando não é sabotado.
Nos locais de trabalho, reina a inveja disfarçada de cordialidade, a competição destrutiva, o prazer em ver o outro cair. Há quem trabalhe mais para prejudicar o colega do que para melhorar o próprio desempenho. Falta espírito de equipa, falta humildade, falta grandeza. O sucesso do outro é sentido como ameaça, nunca como inspiração.
E é assim que o país anda em círculos.
Enquanto uns poucos acumulam riqueza e poder, a maioria repete comportamentos que perpetuam a própria miséria. O pobre inveja o rico, mas não quer aprender com ele; o trabalhador despreza o patrão, mas sonha ser um igual; o governado insulta o político, mas sonha ter o mesmo privilégio. É o círculo vicioso da mentalidade que não muda.
Angola precisa de uma revolução interior.
Não é apenas mudar o governo — é mudar a cabeça.
Não é só reformar leis — é reformar consciências.
É ensinar que o sucesso do outro não nos diminui, que a honestidade é um investimento e não uma fraqueza, que a inveja é o imposto dos incapazes.
Enquanto a mentalidade continuar doente, todas as reformas serão cosméticas.
Nenhum país progride com um povo que sabota o seu próprio futuro.
Birmingham, 09 de Outubro de 2025.
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