Em Angola, todos os políticos são milionários

Dangote

Malundo Kudiqueba & Carla Nunes

Nesse asaspectoaté a Nigéria apresenta um cenário mais saudável. O pai do cantor Davido ou Aliko Dangote, o homem mais rico de África, construíram a sua riqueza fora do aparelho de Estado. Não precisaram de cargos no governo para se tornarem milionários.

No Reino Unido, onde vivo e trabalho, a realidade é completamente diferente. Não encontramos membros do governo nem da oposição na lista dos mais ricos do país. A política é uma função pública, não um bilhete dourado para a riqueza.

Algo está profundamente errado em Angola. Quando a riqueza nacional se concentra nas mãos de quem governa, a política deixa de servir o povo e transforma-se apenas num negócio privado com lucros garantidos. Pior do que isso: o comportamento dos políticos angolanos é uma forma de auto sabotagem nacional. Em vez de investirem na educação, na saúde, na indústria ou na agricultura, preferem enriquecer a si próprios e às suas famílias. Essa escolha não só bloqueia o futuro do país como cria um ciclo de pobreza que atinge gerações inteiras.

É, no fundo, uma punição colectiva contra o povo angolano. A cada escola não construída, a cada hospital sem medicamentos, a cada jovem desempregado sem oportunidades, o país inteiro paga o preço da ganância de poucos. Angola não está condenada pela falta de recursos — pelo contrário, é rica em petróleo, diamantes, terras férteis e juventude talentosa. Está condenada pela escolha consciente de uma elite política que transformou o poder num negócio privado, deixando o povo entregue à miséria. Enquanto essa lógica não for quebrada, a riqueza de Angola continuará a ser uma maldição para os pobres e uma bênção apenas para quem ocupa o poder.

Birmingham, 26 de setembro de 2025.

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