Vivemos numa sociedade em que a aparência, muitas vezes, vale mais do que a essência. Não é raro encontrarmos pessoas com poucos recursos a esforçarem-se para aparentar uma riqueza que não possuem, enquanto os verdadeiramente abastados preferem a discrição e raramente sentem necessidade de exibir o que têm. Esta diferença revela mais do que uma questão de estilo: traduz insegurança, falta de confiança e uma necessidade desesperada de validação social.
Carla Nunes
O pobre que ostenta um relógio caro, roupas de marca ou um carro adquirido com esforço desmedido, muitas vezes, não o faz para si, mas para os outros. É um grito de afirmação: “vejam que eu também consigo, que eu também pertenço”. Só que essa tentativa de parecer o que não se é acaba por denunciar precisamente o contrário — a ausência daquilo que se quer mostrar. É como um disfarce mal construído: quanto mais se insiste na exibição, mais se nota a carência.
Já os ricos, habituados à abundância, sabem que o valor não está no que se mostra, mas no que se possui em silêncio. Quem tem não precisa de provar nada a ninguém, porque a sua posição social e económica não depende da validação alheia. A discrição dos ricos não é apenas prudência financeira; é também segurança interior. Aquele que se sente seguro de quem é e do que conquistou não precisa de aplausos exteriores.
A ostentação, nesse sentido, é muitas vezes a pobreza vestida de vaidade. É uma ilusão que procura compensar fragilidades internas e externas. A verdadeira riqueza não precisa de palco, vive-se com tranquilidade, sem necessidade de holofotes.
No fim, a questão é simples: quem tem confiança não precisa de provar nada; quem não tem, tenta provar tudo. E é nesta diferença que se encontra a fronteira entre o silêncio confortável da riqueza e o barulho desesperado da aparência.
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