Sei que António Guterres é uma boa pessoa. Sei que tem princípios, que acredita na dignidade humana e que entrou para as Nações Unidas com a esperança de ajudar a construir um mundo mais justo. Mas, infelizmente, ocupa um cargo que simboliza poder sem, na realidade, ter poder.
Carla Nunes & Malundo Kudiqueba
O senhor é Secretário-Geral da ONU, mas muitas vezes parece um refém das vontades dos mais fortes. As suas palavras são belas, as suas recomendações sensatas, mas os poderosos não as ouvem. Não respeitam as suas sugestões nem as suas orientações. E isso é profundamente triste.
Todos nós sabemos que poderia ter feito mais, se o tivessem deixado. Mas não querem. Os que dominam o mundo não permitem que um Secretário-Geral tenha a força de mudar o rumo das guerras, da fome, das injustiças. Limitam-no a apelos, discursos, gestos simbólicos.
O seu nome ficará na história como um homem de boa vontade, mas também como alguém que esteve no centro da arena mundial e não pôde impedir que os poderosos transformassem vidas em números e a dor humana em estatística.
Não é uma crítica pessoal, é um lamento. Porque o senhor, António Guterres, teria merecido exercer um cargo com verdadeiro poder, capaz de traduzir a compaixão em decisões e a justiça em realidade.
O mundo precisa de mais homens bons, mas também de instituições que lhes dêem espaço para agir. Caso contrário, até os mais nobres acabam silenciados pela arrogância dos que confundem força com direito.
Birmingham, 23 de Setembro de 2025.
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