A comunidade guineense residente em Cabo Verde, estimada em cerca de 10 mil pessoas, a maior comunidade estrangeira no arquipélago, tem vindo a denunciar situações de humilhação, discriminação e maus-tratos tanto por parte de cidadãos cabo-verdianos como, em alguns casos, das próprias instituições do Estado.
Malundo Kudiqueba
De acordo com relatos partilhados por membros da comunidade, muitos guineenses afirmam enfrentar diariamente dificuldades acrescidas para aceder a serviços básicos, como saúde e educação, bem como obstáculos burocráticos na regularização da sua documentação. Vários queixam-se ainda de episódios de xenofobia no dia-a-dia, traduzidos em insultos, exclusão social e desvalorização profissional.
Face a estas preocupações, o Presidente da Guiné-Bissau reagiu publicamente, garantindo ter ouvido atentamente as queixas do seu povo. Numa mensagem dirigida tanto aos guineenses no exterior como ao governo de Cabo Verde, afirmou que não aceitará a continuação de práticas discriminatórias. O Chefe de Estado guineense assegurou que, caso não se verifiquem melhorias na situação, o seu governo está preparado para agir de forma diplomática e até retaliar, defendendo os direitos e a dignidade dos cidadãos nacionais.
A posição do Presidente surge num momento de maior tensão entre as comunidades, reforçando o debate sobre as condições de integração dos imigrantes em Cabo Verde e o compromisso do país com a defesa dos direitos humanos. Enquanto isso, os guineenses no arquipélago aguardam medidas concretas que garantam respeito, igualdade de tratamento e melhores condições de vida.
Coventry, 30 de Agosto de 2025.
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