Malundo Kudiqueba
Marrocos não esconde a ambição. Já manifestou, em diferentes fóruns, a vontade de se aproximar da União Europeia. E, nos bastidores de Bruxelas, há políticos portugueses e espanhóis que funcionam como intermediários, discretos lobistas de uma integração que ninguém assume em público. O dinheiro fala, a geopolítica decide e os interesses tratam do resto.
O peso demográfico de Marrocos, aliado às dinâmicas migratórias, fará com que Lisboa e Porto se transformem, em poucas décadas, em extensões de Rabat e Casablanca.
Imagine-se o cenário: fronteiras abertas, circulação livre, empresas marroquinas a florescer em solo português, mão-de-obra barata a substituir portugueses cada vez mais emigrados para França, Inglaterra e Alemanha. No dia em que isso acontecer, Portugal deixará de ser Portugal — será apenas uma extensão de Marrocos sob a bandeira azul da União Europeia.
A pergunta é simples e perturbadora: quem governará Portugal no futuro? Os políticos eleitos em Lisboa ou os interesses importados de Rabat, mascarados de integração europeia?
Se a Europa abriu as portas ao Leste, nada impede que, amanhã, as abra ao Sul. E nesse dia, o Atlântico deixará de ser fronteira para se tornar ponte. Uma ponte que poderá levar Portugal não à modernidade, mas a um destino incerto.
Além das tensões diplomáticas, surgem ainda questões éticas. O escândalo conhecido como “Moroccogate”, envolvendo o ex-deputado europeu Pier Antonio Panzeri, revelou pagamentos de lobistas ligados a Marrocos para influenciar decisões favoráveis no Parlamento Europeu.
Marrocos continua a ser um parceiro estratégico privilegiado da União Europeia. Contudo, expande o seu poder através de acordos regionais, cooperação bilateral e lobby político. A adesão formal ao bloco permanece altamente improvável, sobretudo por razões legais, políticas e geográficas — mas o impulso para exercer influência indirecta é real e cada vez mais visível. Quando alguns portugueses dizem que querer não é ser respondo da seguinte forma: a imprevisibilidade política não é uma hipótese remota, é sempre uma possibilidade real — mesmo quando ninguém a menciona. E mais não digo!
Birmingham, 30 de Agosto de 2025
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