Para muitos analistas críticos, a perda gradual da influência francesa em África contribuiu para o enfraquecimento da sua economia. Países africanos que antes sustentavam a França através de recursos e relações privilegiadas seguem agora caminhos independentes, reduzindo a margem de manobra de Paris. Sem a sua antiga esfera de influência e mergulhada em endividamento estrutural, a França parece uma potência sem rumo.
Malundo Kudiqueba
A França, segunda maior economia da zona euro, vive uma das crises financeiras e políticas mais graves da sua história recente. Com uma dívida pública a rondar os €3,3 biliões — cerca de 116% do PIB — o país aproxima-se perigosamente de uma situação de falência técnica. O risco de um resgate pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), outrora impensável para uma potência do coração da Europa, começa agora a ser admitido ao mais alto nível.
O peso da dívida francesa tornou-se insustentável. O défice público ultrapassa os 5,8% do PIB, muito acima das metas europeias, e as medidas de austeridade propostas pelo governo não convenceram os mercados. As taxas de juro da dívida dispararam, os bancos franceses perderam valor em bolsa e o CAC 40 registou quedas abruptas. Investidores internacionais já comparam a situação ao colapso da Grécia em 2010, mas com uma diferença decisiva: a França não é periferia, é o centro da Europa.
O primeiro-ministro François Bayrou arriscou tudo ao anunciar um voto de confiança para o dia 8 de setembro. A sua proposta de austeridade, avaliada em €44 mil milhões, prevê cortes profundos na despesa pública, aumento de impostos e até a eliminação de feriados. Porém, tanto a esquerda como a direita já anunciaram que votarão contra. A queda do governo parece inevitável e, com ela, abre-se a porta a uma crise ainda mais profunda para Emmanuel Macron, que vê o seu mandato a desmoronar-se.
O ministro das Finanças admitiu pela primeira vez que, se o governo cair e não houver consenso político para estabilizar as contas, o FMI poderá ter de intervir. Trata-se de um cenário que humilharia a França e abalará toda a União Europeia. Nunca uma das economias centrais do euro foi obrigada a pedir ajuda externa desta dimensão.
A queda do governo Bayrou-Macron e um eventual recurso ao FMI não serão apenas um problema francês. A instabilidade em Paris pode contaminar toda a zona euro, minar a confiança nos mercados europeus e dar novo fôlego ao euroceticismo. O colapso francês pode tornar-se a maior crise europeia desde a Segunda Guerra Mundial.
Birmingham, 27 de Agosto de 2025.
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