Quem se afasta porque não emprestamos dinheiro, nunca foi amigo

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Malundo Kudiqueba

Não somos maus por dizer “não”; maus são os que só nos veem como carteira. A verdadeira amizade não se mede pelo fluxo de dinheiro, mas pela lealdade, pela compreensão e pela presença nos momentos em que não há nada material para oferecer.

Um empréstimo recusado não deveria ser uma sentença de morte para uma relação. Se alguém nos valoriza apenas enquanto servimos de banco sem juros, então nunca houve amizade — houve apenas interesse.

A amizade que acaba com um empréstimo recusado nunca foi amizade, foi negócio. E negócios quebram-se quando deixam de ser lucrativos. Já a amizade verdadeira resiste à escassez, ao aperto e ao “não” firme que, muitas vezes, é sinal de respeito por nós próprios.

No fundo, emprestar dinheiro pode ser útil para uma coisa: não para enriquecer quem pede, mas para empobrecer as ilusões de quem acredita que todos ao seu redor são amigos.

As pessoas lembram-se do nosso bolso, mas esquecem-se do nosso esforço. Enquanto temos para dar, somos vistos como bons, generosos, quase indispensáveis. No dia em que recusamos — não por maldade, mas porque não podemos ou simplesmente não queremos — o nosso valor deixa de contar. É como se a nossa dignidade fosse reduzida a uma carteira vazia.

Quem só gosta de nós quando abrimos a mão, nunca gostou de nós. Gostou do dinheiro. E essa é a grande ferida que muitos não querem encarar: há amizades que não passam de contratos silenciosos de interesse.

Dizer “não” não nos torna maus. Torna-nos livres. Livres de quem nunca nos viu como pessoas, mas apenas como um banco sem juros. É duro, mas é verdade: quando dizemos “não”, descobrimos quem realmente estava connosco — e quem estava apenas a sugar-nos.

Um amigo verdadeiro entende a recusa. Um interesseiro ofende-se. E talvez seja essa a melhor forma de separar trigo do joio.

Coventry, 23 de Agosto de 2025

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