João Lourenço considera homenagem um despertar para um futuro com mais saúde

Jlo japÃo

Malundo Kudiqueba

A entrega dos galardões da 5.ª edição do Prémio Hideyo Noguchi contou com a presença do Imperador Naruhito, da Imperatriz Masako e do Presidente da União Africana, João Lourenço, acompanhado pela Primeira-Dama, Ana Dias Lourenço.

Criado pelo Governo do Japão, o prémio homenageia a vida e o legado do cientista Hideyo Noguchi, pioneiro na investigação bacteriológica e cuja carreira foi interrompida pela febre amarela, contraída em África.

Na ocasião, João Lourenço afirmou que a distinção representa muito mais do que um reconhecimento individual: é um sinal de esperança num futuro mais seguro e com mais saúde, construído a partir do sacrifício e da dedicação incansável de cientistas que colocam a vida ao serviço da humanidade. O líder africano sublinhou que a homenagem honra Noguchi e ao mesmo tempo inspira novas gerações de investigadores a prosseguirem o seu legado.

O Presidente da União Africana não deixou de lembrar os desafios que ainda assolam o continente, destacando os surtos de cólera que, particularmente em 2025, causaram graves impactos socioeconómicos em vários países. Segundo João Lourenço, a luta contra epidemias exige medidas urgentes de saneamento, acesso a água potável, melhoria das condições de higiene e formação de quadros técnicos capazes de dar respostas rápidas.

Apesar das dificuldades, o Chefe de Estado sublinhou que África não pode permanecer dependente da ajuda externa. “Os nossos cientistas e profissionais de saúde já assumiram a missão de erradicar a cólera até 2030, em coordenação com o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (África CDC)”, reforçou.

Ao receber o prémio, o investigador maliano Abdoulaye Djimdé alertou que o combate à malária só será bem-sucedido se houver comprometimento político continuado, financiamento adequado e maior envolvimento dos cientistas africanos.

Com mais de 30 anos dedicados à investigação, Djimdé destacou que os progressos alcançados correm risco devido a fatores como as alterações climáticas, a resistência a medicamentos, conflitos armados e a diminuição do apoio financeiro internacional. Ainda assim, garantiu que é possível eliminar a malária, “mesmo nas regiões mais difíceis”, e considerou o prémio um estímulo para continuar e formar novas gerações de cientistas africanos.

Luís Piçarro lembrou que as doenças negligenciadas, frequentemente chamadas de doenças dos pobres, afectam mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo e obrigam milhares de crianças a abandonar a escola. O cientista destacou que o reconhecimento não é apenas individual, mas resultado de um trabalho coletivo, envolvendo governos, doadores, universidades e a indústria farmacêutica.

“O sucesso é a prova viva do poder da ciência e da solidariedade internacional”, afirmou Piçarro, reforçando que a cooperação global continua a ser uma das chaves para um continente livre da malária e das doenças esquecidas.

Birmingham, 23 de Agosto de 2023.

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