Hoje, no Palácio Presidencial da Cidade Alta, o Conselho da República volta a falar sobre segurança pública.
Reunião extraordinária, discursos formais, apelos à calma.
Mas nas ruas, a extraordinária é outra: a extraordinária falta de segurança real.
Em menos de uma semana, esta é a segunda vez que o tema chega ao topo da agenda política. No dia 5, o Conselho de Segurança Nacional ouviu relatos de pilhagens, vandalismo e violência. A resposta foi rápida — contenção, restabelecimento da ordem, normalização das atividades. Mas respostas rápidas não são soluções duradouras. Apagar incêndios não constrói um país.
O governo aponta o dedo às redes sociais e à Inteligência Artificial, acusando-as de espalhar o caos. Sim, é verdade que a manipulação digital existe. Mas a instabilidade não nasce num ecrã — ela nasce onde não há emprego, onde a fome bate à porta e onde a esperança já nem se dá ao trabalho de aparecer.
O Conselho da República, composto por altos cargos e personalidades escolhidas a dedo, tem como função aconselhar o Presidente. Mas se o conselho não for mais do que eco de quem já está no poder, então é apenas um círculo fechado que se aconselha a si próprio.
Segurança pública não é apenas polícia na rua ou operações de emergência. É escola que funciona, hospital que trata, salário que chega ao fim do mês, justiça que se cumpre.
Sem isso, não há polícia que segure a paz, nem decreto que prenda o desespero.
Enquanto se reúnem na Cidade Alta, o resto do país continua à espera de algo que não se resolve em reuniões — a segurança verdadeira, aquela que nasce de um Estado que protege e serve, e não apenas de um governo que reage quando a crise já explodiu.
Este post já foi lido 1378 vezes.
