Na sequência dos recentes distúrbios registados em diversas cidades do país, com maior gravidade em Luanda — que resultaram em mortos, feridos e danos significativos em bens públicos e privados — crescem as críticas à actuação da Polícia Nacional, particularmente à liderança do comissário-geral Francisco Ribas. Muitas vozes, inclusive dentro da própria corporação, acusam-no de falhar na prevenção dos acontecimentos, ao não tomar medidas atempadas para evitar o caos.
De acordo com dados oficiais da polícia, cerca de uma centena de estabelecimentos comerciais foram saqueados durante a segunda e terça-feira, causando prejuízos avultados aos proprietários, alguns dos quais ponderam encerrar definitivamente os seus negócios, agravando o desemprego. Vários meios de transporte, públicos e privados, também foram destruídos durante os confrontos.
Segundo fontes ligadas ao Ministério do Interior, os alertas não terão faltado. Foram feitos vários apelos ao comissário Ribas no sentido de destacar efectivos para zonas estratégicas e sensíveis, com o objectivo de dissuadir ou conter os actos de vandalismo. No entanto, essas orientações não terão sido levadas a sério.
Críticas internas sublinham ainda a alegada falta de experiência do actual comandante-geral para lidar com situações de elevada complexidade, além do seu estilo de liderança pouco dialogante e centralizador, que, segundo as mesmas fontes, tem gerado descontentamento dentro das fileiras da corporação.
Em contraste, é cada vez mais invocada a actuação do antigo comissário-geral, Arnaldo Carlos, como exemplo de eficácia. Recorda-se, por exemplo, o seu desempenho durante o período sensível das eleições gerais de 2022, altura em que conseguiu manter a ordem pública com equilíbrio e firmeza. Por isso, há sectores que defendem abertamente o seu regresso ao comando da Polícia Nacional.
A reputação de Francisco Ribas deteriorou-se ainda mais após as suas polémicas declarações sobre o assassinato de uma mulher por um agente da polícia, quando esta tentava fugir. Muitos consideraram as suas palavras insensíveis, por minimizar a gravidade do acto e insinuar, sem provas, que a vítima se encontrava em situação de ilegalidade no país.
Perante este episódio, amplamente condenado pela opinião pública, intensifica-se a pressão para que o Presidente da República intervenha. Muitos pedem o afastamento imediato de Francisco Ribas, considerando que a sua continuidade no cargo fragiliza a imagem e a eficácia da Polícia Nacional. A decisão está agora nas mãos do Chefe de Estado, que terá de lidar com esta “batata quente” num momento particularmente delicado para a segurança e estabilidade do país.
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