Carlos Rosado de Carvalho, um dos analistas mais respeitados do país, afirmou em tempos que o Presidente João Lourenço devia ter umas aulas de economia. A frase foi tão certeira quanto provocadora. Mas levanta uma questão mais ampla: será que todos os presidentes do mundo precisam ser bons economistas para gerirem bem a economia de um país?
Malundo Kudiqueba
Um Presidente não precisa ser especialista em tudo — mas precisa, no mínimo, de saber ouvir quem é. Um bom líder rodeia-se de mentes competentes, dá-lhes autonomia e escuta as suas orientações. É por isso que se fala tanto em “equipa económica”. E a pergunta impõe-se: João Lourenço tem, de facto, uma equipa económica eficaz?
Porque se tudo está a falhar na economia, então ou a equipa económica é incompetente, ou o Presidente é quem decide tudo sozinho — ou, pior ainda, ambos.
O que Carlos Rosado quis dizer vai além da provocação. Em Angola, os ministros são, muitas vezes, apenas figurantes bem vestidos. São auxiliares sem poder real, meros executores de ordens superiores. O verdadeiro ministro da Economia, das Finanças, da Saúde e da Administração Pública é o próprio Presidente. João Lourenço governa como se estivesse num monólogo de poder, onde só ele fala e todos os outros acenam.
E quando se concentra tanto poder num só homem, esse homem deve, sim, entender de tudo. Porque é ele que decide por todos. É por isso que Rosado de Carvalho sugeriu que o Presidente precisaria de umas lições — não apenas de economia, mas talvez de gestão democrática. E não devemos transformar Angola num laboratório para experiências autoritárias.
É verdade que existem presidentes no mundo que não percebem nada de economia e, mesmo assim, tiveram mandatos de sucesso. Mas eles souberam reconhecer os seus limites. Souberam delegar. Souberam confiar. O problema não é não saber. O problema é não saber e ainda assim querer mandar em tudo.
Portanto, não, não é obrigatório que o Presidente seja um economista. Mas é fundamental que ele entenda que liderar um país é mais do que exercer autoridade: é saber partilhar responsabilidades, ouvir especialistas, assumir erros e proteger os interesses do povo, e não apenas os seus.
Porque quando tudo corre mal, não é apenas a equipa económica que falhou. Falhou o chefe que quis ser maestro, cantor, baterista e ainda por cima não sabe música.
Birmingham, 05 de Agosto de 2025.
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