Cabinda: A Província Rica que Permanece Isolada

Cabinda

Malundo Kudiqueba

Cabinda, que tanto contribui para a economia nacional, sobretudo através da exploração de petróleo, é tratada como um corpo estranho dentro do próprio país. Vive isolada, esquecida, como se não fizesse parte da Nação. É um paradoxo doloroso e revoltante: a província que mais dinheiro gera para Angola continua com as piores condições de ligação, desenvolvimento e inclusão.

Não existe uma ligação marítima eficaz, frequente e acessível entre Cabinda e Luanda. Não existe uma via terrestre segura e contínua que atravesse o Congo e una os angolanos de norte a sul. E pior: parece não haver vontade política de mudar esse cenário. O abandono tornou-se norma. O silêncio, política de Estado.

Se eu fosse governador de Cabinda, faria desta questão a minha prioridade absoluta. Propor-me-ia a criar uma ligação marítima regular, moderna, que unisse Cabinda ao resto do país, permitindo o transporte de pessoas, mercadorias, alimentos e sonhos. Lutaria, também, por acordos diplomáticos firmes que permitissem uma ligação terrestre digna, atravessando o Congo com segurança, através de corredores logísticos protegidos e bem estruturados.

Cabinda merece mais. Angola não pode continuar a ignorar uma parte vital de si mesma. Não se constrói uma Nação amputando o próprio corpo. Unir Cabinda ao resto do país não é apenas uma questão de logística — é um acto de justiça, de soberania e de respeito pela identidade nacional.

É tempo de deixarmos de viver de discursos e começarmos a concretizar pontes — reais, físicas, funcionais — que sirvam o povo. Porque não há Angola completa sem Cabinda plenamente integrada.

Birmingham, 05 Agosto 2025.

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