Exclusivo: Fama & Poder
Malundo Kudiqueba
O programa Estado da Nação, exibido na rádio MFM, voltou a estar no centro da polémica. O seu moderador, Alves Fernandes, protagonizou um momento que eu já classifico como “vandalismo jornalístico”, ao humilhar em directo o economista Carlos Rosado de Carvalho, figura respeitada no comentário económico e político angolano.
O episódio gerou uma onda de indignação nas redes sociais, com críticas generalizadas à postura de Alves Fernandes, acusando-o de parcialidade, arrogância e desrespeito para com um dos poucos analistas independentes que ainda ousam falar com frontalidade no espaço mediático angolano.
Segundo fontes próximas à produção do programa, Alves Fernandes pondera agora substituir Carlos Rosado de Carvalho por outro comentador — o também economista Heitor de Carvalho, uma figura menos crítica ao regime e, segundo os mesmos círculos, mais “maleável” aos interesses editoriais impostos nos bastidores.
Carlos Rosado de Carvalho tem vindo a incomodar o regime — e Alves Fernandes apenas cumpriu uma missão encomendada. O último programa Economia 100 Makas, com a presença de Adalberto da Costa Júnior, foi a gota de água para o poder. As análises incisivas de Carlos Rosado de Carvalho, somadas à escolha de um convidado incómodo ao regime, não caíram bem nos corredores do poder.
A resposta veio depressa. No programa Estado da Nação, Alves Fernandes surgiu com um tom autoritário — “aqui mando eu” — que não pareceu gratuito. O moderador apenas deu rosto a uma operação silenciosa para silenciar vozes críticas e realinhar o espaço mediático.
A substituição de um analista incómodo por um nome mais alinhado à narrativa oficial. Isto levanta sérias questões sobre a independência editorial do programa e sobre a real liberdade de expressão nos media públicos angolanos.
Num país onde o jornalismo já enfrenta entraves estruturais, episódios como este não apenas mancham a credibilidade dos programas de análise política, como também contribuem para a descredibilização total da imprensa pública, vista por muitos como mero instrumento de propaganda do poder.
Alves Fernandes tem sido acusado de interromper convidados, manipular o tempo de antena dos participantes e utilizar o seu papel de moderador para impôr opiniões próprias.
O impacto já se faz sentir: várias personalidades que antes acompanhavam o programa garantem que deixarão de o fazer. “O programa perdeu a alma crítica e plural. Agora é apenas mais uma extensão da máquina de controlo do pensamento”, escreveu um internauta nas redes sociais.
Substituí-lo por alguém como Heitor de Carvalho poderá até garantir maior “comodidade” para o moderador, mas dificilmente manterá a credibilidade e a audiência do programa.
Em última análise, o Estado da Nação poderá estar a caminhar para o seu estado terminal, não por falta de temas relevantes ou de talentos disponíveis, mas pela incapacidade de lidar com vozes críticas dentro de um espaço que deveria, por definição, fomentar o contraditório e a reflexão livre.
Birmingham, 04 de Agosto de 2025.
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