Malundo Kudiqueba
O timing de André Ventura foi crucial, brutal, certeiro e mortífero. Quando a maioria dos líderes portugueses se limitava a sorrir para as câmaras e a fingir que tudo vai bem em Angola, Ventura fez o que ninguém ousava: apontou o dedo, sem rodeios, ao Presidente João Lourenço e chamou-lhe o que muitos angolanos murmuram há anos. Ventura pode ser polémico, controverso, até imprevisível — mas naquele momento, foi certeiro. Atirou a última pá de terra sobre a já moribunda credibilidade de João Lourenço. Desta vez, o João Lourenço já não recupera quando faltam apenas dois anos para o final do seu mandato.
André Ventura não foi simpático, não foi diplomático, não foi subtil. Foi devastador. Aplicou um portentoso e humilhante KO técnico a João Lourenço, numa intervenção que ficará nos anais da política luso-angolana como um dos momentos mais embaraçosos para o presidente de Angola. E fê-lo com poucas palavras, mas com a pontaria de quem sabe exactamente onde acertar: no orgulho vazio de um regime desacreditado.
João Lourenço, já combalido por uma popularidade em queda livre, não resistiu. Ficou na defensiva, em silêncio, atordoado como um pugilista sem reflexos. Para muitos angolanos, o momento foi uma delícia. Afinal, alguém com visibilidade internacional ousou dizer aquilo que o povo tem gritado há anos, sem nunca ser ouvido.
Não é apenas o conteúdo das críticas que o derrubou — foi o contexto. Ventura criticou num momento em que o país atravessa um desespero social profundo, onde a fome volta a assombrar lares, onde a juventude vê o futuro a desaparecer e onde a repressão tem sido a resposta do Estado ao legítimo protesto.
A elite no poder está em pânico. João Lourenço perdeu o monopólio da narrativa. Pior: perdeu o respeito. E quando um líder perde o respeito do seu povo, não há propaganda que o salve. Pode continuar no cargo, pode discursar, pode inaugurar obras — mas a credibilidade não volta. Perdeu-se no instante em que alguém o desafiou de frente e ele nada respondeu.
O silêncio de João Lourenço não é prudência. É fraqueza. É medo. É derrota.
Ventura, goste-se ou não, venceu este round com uma eficácia brutal. E ao fazê-lo, expôs a fragilidade de um regime que vive da aparência, mas que treme com a verdade. Foi um KO técnico — mas para muitos angolanos, soube a nocaute histórico.
Rotterdam, 01 de Agosto de 2025.
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