Amsterdam, 31/07/2025 – Malundo Kudiqueba
Há um certo ponto na vida em que já não é possível carregar tudo e todos. Não é egoísmo. Não é desprezo. Não é arrogância. É, simplesmente, um reconhecimento de incompatibilidades. Quando se sobe — seja na carreira, no pensamento, no autoconhecimento ou até no silêncio — certas companhias deixam de fazer sentido. Não por serem más, mas por já não falarem a mesma língua interior.
Subir exige escolhas. Exige que se largue o que atrasa, o que consome energia sem retorno, o que grita enquanto a sua alma busca silêncio. É nessa altitude que se aprende: nem todos podem ou querem acompanhar. E está tudo bem com isso.
Há quem olhe para essa seletividade como um traço de vaidade. Mas na verdade é uma forma de sobrevivência emocional. Porque quem sobe — verdadeiramente — deixa de procurar multidões e passa a valorizar conexões. Deixa de querer ser entendido por todos, e aprende a comunicar com quem realmente escuta.
É que os voos altos não permitem bagagem em excesso. E isso inclui relações que só funcionavam na fase anterior, quando ainda havia espaço para fingimentos, para agradar a todos, para conversas ocas à volta do nada.
Ser seletivo não é virar as costas ao mundo, é virar as costas ao ruído. E, por vezes, esse ruído veste-se de amizade, de obrigação, de tradição. Mas, no fundo, é apenas ruído.
Quanto mais subimos, mais percebemos que ser seletivo é escolher a paz em vez da guerra constante por aprovação. É escolher a qualidade em vez da quantidade. É aceitar que a solidão, às vezes, é mais nutritiva do que a presença errada.
Portanto, da próxima vez que alguém o acusar de estar “metido no pedestal”, sorria. Talvez o que eles chamam de pedestal, você chame de evolução.
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