Fama e Poder | Amsterdam, 29 de Julho de 2025
As manifestações e greves desencadeadas pelo aumento do preço dos combustíveis em Angola têm provocado uma vaga de distúrbios, pilhagens e confrontos com as autoridades em várias cidades do país, incluindo a capital, Luanda. Apesar dos tumultos registados nos últimos dias, a Polícia Nacional garantiu na noite desta terça-feira que “a situação de segurança em Luanda é estável”.
Segundo as autoridades, o número de detidos suspeitos de envolvimento nos actos de vandalismo e pilhagem subiu para 1.214. Os detidos terão participado em saques a estabelecimentos comerciais, destruição de bens públicos e privados, bem como em bloqueios de vias e confrontos com as forças de segurança.
O epicentro da tensão tem sido o aumento do preço dos combustíveis, anunciado pelo Governo no início do mês, no âmbito das medidas de ajuste económico. A subida repentina dos custos de transporte e bens essenciais afectou directamente milhares de famílias, já fragilizadas por um contexto socioeconómico difícil. Em várias províncias, sindicatos e organizações da sociedade civil convocaram greves e protestos em resposta às medidas.
Em Luanda, bairros como Cazenga, Viana, Sambizanga e Kilamba registaram momentos de grande tensão, com imagens de confrontos e pilhagens a circular nas redes sociais. Algumas escolas e estabelecimentos encerraram preventivamente. No entanto, a Polícia reforçou a presença em zonas estratégicas e implementou operações de controlo para conter a propagação da violência.
Apesar do clima de instabilidade, o porta-voz da Polícia Nacional afirmou, em comunicado, que “a situação de segurança em Luanda está sob controlo”, apelando à calma e ao regresso à normalidade.
Organizações de direitos humanos e vozes da oposição política já vieram a público criticar a repressão das manifestações e exigir a libertação de manifestantes pacíficos, sublinhando o direito constitucional à manifestação e à greve.
Até ao momento, o Executivo ainda não anunciou medidas de revisão dos preços nem um eventual plano de apoio social às camadas mais vulneráveis, facto que poderá contribuir para o prolongamento da tensão social.
A situação permanece em desenvolvimento e a população aguarda com expectativa os próximos passos do Governo.
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