Angola e França: Diplomacia Económica

Diplomacia

Desde que chegou ao poder, o Presidente tem insistido na narrativa de que Angola está aberta ao investimento estrangeiro, principalmente europeu. A retórica é familiar: diversificação da economia, combate à corrupção, reestruturação do Estado, etc. Mas quando olhamos para os resultados práticos, surge a dúvida — estamos mesmo a mudar ou apenas a repetir o velho jogo de sedução dos investidores, agora com novas caras e sotaques?

A MEDEF Internacional não é uma organização qualquer. Representa os grandes interesses económicos franceses e é uma das pontes mais influentes entre o poder político e o capital privado em França. O encontro, portanto, não é inocente. Tem peso. O que preocupa é a opacidade do conteúdo. Que tipo de parcerias foram discutidas? Houve garantias de transparência? Ou estamos, mais uma vez, a abrir as portas à exploração sem contrapartidas reais para o povo angolano?

Angola tem um histórico trágico de negócios ruinosos com empresas estrangeiras — contratos leoninos, isenções fiscais absurdas e uma elite política que enriquece enquanto o povo continua preso a serviços públicos miseráveis. A diplomacia económica, sem mecanismos de escrutínio e justiça social, torna-se apenas uma nova versão da velha dependência colonial travestida de modernidade.

João Lourenço precisa de compreender que o mundo já não se impressiona com fotos de presidentes africanos ao lado de CEOs europeus. O que importa são os resultados concretos: escolas, hospitais, estradas, acesso à água, criação de empregos com dignidade. Se estes encontros não se traduzirem em benefícios reais para o cidadão comum, então não passam de turismo político pago com o erário público.

O encontro com o líder empresarial francês deve ser analisado, não celebrado. A política externa deve servir o interesse nacional — e esse interesse começa e acaba na melhoria da vida dos angolanos, não na multiplicação de jantares de gala com promessas que raramente saem do papel.

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