É impossível ser bom político sendo má pessoa

Hungria1

Malundo Kudiqueba

A má pessoa pode até ser um excelente manipulador, pode saber jogar o xadrez do poder com mestria, pode até ganhar votos com frases feitas e promessas populistas. Mas cedo ou tarde, a verdade aparece. Porque quem mente aos filhos, trai os amigos ou trata mal os mais fracos, acabará por trair também o povo. O carácter pessoal e a ética pública andam de mãos dadas — sempre.

Há quem diga que “vida privada é vida privada”. Que importa se o político trai a mulher, humilha os subordinados ou age com soberba, desde que saiba governar? Ora, importa tudo. Porque quem não respeita quem está ao seu lado não vai respeitar quem está abaixo. E a política, em essência, é serviço. É pôr-se ao serviço de todos, sobretudo dos que mais precisam. E isso exige humanidade.

Um político sem princípios pode até fazer obras, cortar fitas, lançar programas e distribuir sorrisos nas redes sociais. Mas no fim, deixará um rasto de desconfiança, oportunismo e corrupção moral. Porque a política, quando não tem alma, torna-se uma máquina de vaidades e negócios escuros.

Basta olhar à nossa volta, em Angola, Portugal, Brasil ou qualquer outro canto do mundo: os piores escândalos políticos quase sempre têm raízes numa falência de carácter. Corrupção, nepotismo, arrogância, desumanização. Tudo isso nasce do mesmo lugar: a má pessoa vestida de bom político.

É por isso que, quando formos escolher líderes, temos de olhar para lá dos discursos. Observar como tratam os mais fracos, como lidam com o contraditório, como reagem quando o poder lhes sobe à cabeça. Porque não existe política decente sem pessoas decentes.

É tempo de dizermos, com todas as letras: não queremos políticos brilhantes com almas pequenas. Queremos gente boa no poder. Porque só quem é bom por dentro consegue fazer o bem por fora.

Birmingham, 19 de junho de 2025.

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