O Rico Angolano tem inveja do pobre

Sonangol

Por Malundo Kudiqueba

Ao contrário do que se vê noutros contextos, onde empresários bem-sucedidos investem em talentos emergentes, criam oportunidades e inspiram ascensões, em Angola o sistema é feito para travar qualquer tentativa de mobilidade social. O rico angolano não quer concorrência. Ele quer plateia. Quer manter os olhos do pobre fixos nele — como um milagre ambulante, como alguém inalcançável. E se o pobre ousa levantar-se? Pisa-se. Silencia-se. Boicota-se. Em Angola, o rico não te puxa para cima. Puxa o tapete.

O mais chocante é isto: o rico angolano tem inveja do pobre. Parece absurdo, mas é verdade. Tem inveja da força com que o pobre resiste, da fé que o pobre carrega, da criatividade que o pobre usa para sobreviver com nada. Inveja da liberdade que o pobre tem de ainda sonhar. Porque o rico, preso ao medo de perder o que tem, vive ansioso, competitivo, viciado em mostrar que vale mais — mesmo quando já não vale nada por dentro.

O pobre, para o rico angolano, é um espelho que incomoda. E tudo o que incomoda, em Angola, deve ser esmagado. Assim pensa o sistema. O rico angolano não quer ver o pobre subir — quer vê-lo calado, humilhado e eternamente grato por migalhas.

Há uma cultura de bloqueio em Angola. Uma cultura de fechar portas, esconder contactos, boicotar projectos, atrasar processos e sabotar ideias vindas de baixo. E não é por acaso. É intencional. A ascensão de um pobre é uma afronta ao conforto de quem está no topo.

O mais irónico? Quando o pobre consegue vencer por mérito próprio, muitos ricos angolanos entram em pânico. Começam as campanhas de difamação, as tentativas de desacreditar, de destruir a reputação. Porque, no fundo, não suportam ver alguém sem “nome”, sem sobrenome de elite, sem diploma estrangeiro, alcançar algo que eles sempre acharam exclusivo para si. O verdadeiro pesadelo do rico angolano é ver o pobre acordar.

Angola precisa de uma nova mentalidade. De uma cultura onde o sucesso do outro não seja visto como ameaça, mas como inspiração. Onde ajudar o próximo a crescer não seja um acto de caridade, mas de justiça social. Onde deixar de ter medo do talento alheio seja sinal de maturidade e não de fraqueza.

Mas, até lá, continuará a reinar a lógica brutal e silenciosa do “quanto menos tu tiveres, mais eu pareço ter”. Um país onde os ricos têm pavor de perder o trono — mesmo que seja um trono feito de miséria à sua volta. E MAIS NÃO DIGO!

Birmingham, 15 de junho de 2025.

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