O Timing é Tudo em Política – Um Conselho ao MPLA

Higino e lourenço

Malundo Kudiqueba

Numa altura em que Adalberto Costa Júnior estava a ser duramente fustigado nas redes sociais por ter insinuado que João Lourenço teria comprado a presidência da União Africana — uma afirmação que caiu mal, em alguns sectores da sociedade angolana – o MPLA teve uma oportunidade de ouro para se manter discreto, dar espaço à oposição para tropeçar no próprio discurso e recolher ganhos políticos sem mexer uma palha. Mas não. Decidiu fazer o oposto.

Como se fosse estrategicamente conveniente, anunciou, justamente nesse momento, o aumento do preço dos combustíveis. Um presente inesperado para o presidente da UNITA. Resultado? As atenções desviaram-se imediatamente da gaffe política de Adalberto e concentraram-se de novo no Executivo. Manifestações nas ruas, críticas renovadas, indignação social. Tudo a rebentar ao colo do MPLA.

Ora, se há algo que devia ser óbvio depois de 50 anos no poder, é isto: não se lança gasolina no fogo quando o adversário já está a arder sozinho. A decisão de aumentar o preço dos combustíveis nunca seria popular – em momento algum. Mas o erro foi político, não económico. Foi o timing, não a medida em si, que revelou uma ingenuidade que o partido no poder não pode dar-se ao luxo de ter.

Houve, no entanto, alguém que soube ler o momento com frieza e inteligência política. Higino Carneiro. Coincidência ou não, anunciou a sua intenção de se candidatar à liderança do MPLA exactamente na mesma altura em que o partido era apedrejado nas ruas e nas redes. Um movimento de mestre. Lançou-se como alternativa interna quando o descontentamento popular crescia e o partido precisava de uma válvula de escape.

Se o anúncio da sua candidatura foi calculado, então é sinal de que Higino está a jogar xadrez político, enquanto outros ainda brincam ao dominó. Em política, não basta ter razão. É preciso ter razão na hora certa.

O MPLA precisa urgentemente de reaprender a ler o pulso do país. Precisa de pensar antes de agir e, sobretudo, de compreender que, hoje, o campo de batalha político não é apenas o Parlamento.

O povo pode aguentar sacrifícios, mas não tolera ser provocado. E foi exactamente isso que o anúncio do aumento do combustível fez: provocou um país já cansado de promessas e farto de sentir que carrega o peso de decisões mal calculadas.

Em política, errar o timing é como marcar um golo… na própria baliza.

Telfort, 14 de junho de 2025.

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