Malundo Kudiqueba
Aconselho todos os políticos a começarem, com urgência, a falar a verdade. Não por uma questão de bondade, mas de sobrevivência política. O tempo da mentira confortável e da memória curta está a chegar ao fim. Basta olhar para o caso de Adalberto Costa Júnior, que está a ser exposto publicamente pelo Tribunal Popular — e não será o último.
Quem quer liderar um país deve ser o primeiro a prestar contas à verdade. Um político que mente está a fraudar a confiança do povo. E quem mente ao povo, não está em condições de presidir nem uma associação de bairro, quanto mais uma nação com os desafios de Angola.
O silêncio, neste caso, não é prudência. É confissão.
A política angolana tem sido fértil em discursos inflamados e pobre em coerência. A mentira política virou método, e agora que começa a ser desmascarada, vemos máscaras a cair em direto.
Adalberto Costa Júnior acusou, mas não prova. Lançou suspeitas, mas esconde nomes. E quem atira pedras deve primeiro certificar-se de que não vive numa casa de vidro. O Tribunal Popular não julga por simpatia nem por conveniência. Julga pela verdade. E até agora, o silêncio do líder da UNITA só tem uma tradução: mentiu ou não está à altura da responsabilidade que carrega.
Aos restantes políticos, deixo este aviso: não subestimem o povo informado. A nova geração já não vota por bandeira ou por sobrenome. Vota por carácter. E carácter começa na verdade.
Também continuo à espera — como todos os angolanos atentos — do valor exacto que, alegadamente, foi pago a alguns representantes da União Africana para que João Lourenço fosse eleito presidente daquela organização. Fala-se em subornos. Fala-se em compra de votos. Mas ainda não se mostrou um único nome, um único número, uma única transferência.
Não basta lançar suspeitas ao ar e esperar que o povo aplauda. A política não é um concurso de insinuações. É um compromisso com a verdade.
Se houve pagamento, queremos saber:
– Quem pagou?
– Quem recebeu?
– Quanto foi?
– De onde saiu o dinheiro?
– Em troca de quê?
Termino dizendo o seguinte: quem diz mentiras engana-se a si mesmo.
Birmingham, 09 de junho de 2025.
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