Tchizé dos Santos rompe o silêncio: “Higino Carneiro foi ingrato com o meu pai”

Eduardo dos santos

Malundo Kudiqueba

As palavras de Tchizé ecoam não apenas como um desabafo pessoal, mas como uma acusação política séria, que levanta uma vez mais o véu sobre as fissuras internas no seio do MPLA e no círculo dos beneficiários directos da era dos Santos.
Tchizé recorda com amargura o tratamento dado ao seu pai nos seus últimos anos de vida — isolado, politicamente silenciado e, segundo ela, traído por muitos dos que um dia com ele partilharam mesa e poder. Higino Carneiro surge aqui como símbolo dessa traição.

“Há quem devesse à história um pouco mais de gratidão. Mas preferiram virar as costas ao homem que os ergueu.” Num país onde o poder tem memória curta e onde a lealdade, por vezes, é descartada ao sabor da conveniência, o desabafo de Tchizé é mais do que um grito de dor: é uma denúncia política com nome e rosto. A figura de Higino Carneiro, outrora vista como homem de confiança do ex-Presidente, é agora colocada sob suspeita de oportunismo e ingratidão.

Em sociedades marcadas por redes de lealdade e compadrio, a ruptura pública entre figuras como Tchizé dos Santos e Higino Carneiro serve como retrato de um país onde o poder muitas vezes vale mais que a memória e onde a gratidão é descartada ao primeiro vento de mudança.

Birmingham, 08 de junho de 2025.

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