Malundo Kudiqueba
Tchizé dos Santos, filha do antigo Presidente José Eduardo dos Santos, manifestou-se profundamente magoada com o general Higino Carneiro, figura de proa do regime do MPLA. Em declarações carregadas de emoção e revolta, Tchizé rompeu o silêncio para denunciar o que considera ter sido um acto de deslealdade e ingratidão por parte de alguém que, segundo ela, deve a sua ascensão no MPLA ao seu pai. “O meu pai promoveu o general Higino Carneiro. Deu-lhe confiança, cargos, prestígio. E, no final, o que recebeu? Deslealdade.”
As palavras de Tchizé ecoam não apenas como um desabafo pessoal, mas como uma acusação política séria, que levanta uma vez mais o véu sobre as fissuras internas no seio do MPLA e no círculo dos beneficiários directos da era dos Santos.
Tchizé recorda com amargura o tratamento dado ao seu pai nos seus últimos anos de vida — isolado, politicamente silenciado e, segundo ela, traído por muitos dos que um dia com ele partilharam mesa e poder. Higino Carneiro surge aqui como símbolo dessa traição.
“Há quem devesse à história um pouco mais de gratidão. Mas preferiram virar as costas ao homem que os ergueu.” Num país onde o poder tem memória curta e onde a lealdade, por vezes, é descartada ao sabor da conveniência, o desabafo de Tchizé é mais do que um grito de dor: é uma denúncia política com nome e rosto. A figura de Higino Carneiro, outrora vista como homem de confiança do ex-Presidente, é agora colocada sob suspeita de oportunismo e ingratidão.
Em sociedades marcadas por redes de lealdade e compadrio, a ruptura pública entre figuras como Tchizé dos Santos e Higino Carneiro serve como retrato de um país onde o poder muitas vezes vale mais que a memória e onde a gratidão é descartada ao primeiro vento de mudança.
Birmingham, 08 de junho de 2025.
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