Reajuste no Preço dos Transportes Públicos Entra em Vigor: Táxis a 300 Kz e Autocarros a 200 Kz

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Fonte: Jornal de Angola – Fama & Poder.

A alteração nas tarifas está a gerar reações diversas entre utentes, operadores e analistas económicos. Numa ronda feita pela reportagem do JA Online, foram notadas grandes enchentes nas paragens, particularmente em zonas de maior fluxo populacional como Benfica, São Paulo, Cazenga e Viana. Muitos passageiros, surpreendidos com o aumento, manifestaram preocupação com o impacto desta subida no seu já apertado orçamento familiar.

“Eu apanho dois táxis para chegar ao serviço e dois para voltar. Só em transporte, são agora 1.200 Kz por dia. Isso é mais de 30 mil kwanzas por mês, quase metade do meu salário”, queixou-se Rosa António, empregada doméstica residente em Luanda.

Segundo o comunicado da ANTT, tornado público no domingo, a decisão foi tomada após várias consultas com operadores e tem como objectivo principal compensar os custos operacionais agravados pela inflação, subida do combustível e manutenção dos veículos, além de garantir que os serviços se mantenham funcionais e seguros.

“O tarifário anterior já não cobria os custos mínimos. Com esta actualização, pretende-se estabilizar o sector e evitar a degradação dos serviços ou a sua paralisação”, refere o comunicado da ANTT.

Impacto Económico e Reacções Populares

Embora compreendam a lógica económica por trás da medida, os utentes mais vulneráveis – sobretudo estudantes, trabalhadores informais e desempregados – sentem-se penalizados. Organizações da sociedade civil têm apelado a um maior equilíbrio entre os interesses dos operadores e a capacidade de pagamento da população.

“Reajustar tarifas sem antes garantir um sistema de passes sociais ou de transporte subsidiado para os mais carenciados é uma medida injusta”, disse um representante da Associação de Defesa dos Consumidores.

Por outro lado, os operadores de táxi e autocarros mostram-se aliviados, embora muitos considerem que o novo preço ainda está aquém do necessário para cobrir todos os custos. “Pelo menos agora já conseguimos fazer algum lucro e manter a viatura a circular sem prejuízos”, afirmou Manuel João, motorista de táxi.

Desafios Estruturais no Transporte Urbano

O reajuste volta a expor as fragilidades crónicas do sistema de transporte urbano em Angola, nomeadamente a falta de integração entre os vários meios, a ausência de bilhética digital, o número insuficiente de autocarros públicos e o excesso de informalidade no sector dos táxis.

Economistas alertam que, sem reformas estruturais, o simples aumento das tarifas poderá apenas adiar um colapso do sector, sem resolver os problemas de fundo.

“Angola precisa de um plano nacional de mobilidade urbana sustentável. O transporte público não pode ser tratado apenas como um negócio; é uma política social”, defendeu o economista Francisco Bumba.

O Que Esperar a Seguir

A ANTT prometeu continuar a monitorizar o impacto da medida e estudar soluções de apoio à população mais carenciada, mas não avançou prazos nem medidas concretas nesse sentido.

Para já, milhares de angolanos terão de reorganizar os seus orçamentos e rotinas diárias, enfrentando não apenas o custo mais alto, mas também a escassez de veículos e o tempo perdido nas longas filas de espera.

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