O Verdadeiro Primeiro-Ministro de Portugal Chama-se André Ventura

Lmn

Malundo Kudiqueba

Luís Montenegro não tem voz. Quando fala, o país boceja. Quando Ventura abre a boca, o país inteiro estremece. A diferença entre um e outro é brutal. Ventura grita, provoca, domina o palco mediático. Montenegro observa, hesita, tropeça nas palavras. E, como um aluno assustado, começa a copiar os trabalhos do colega mais barulhento da sala.

Estamos a assistir a um Governo sem alma e a uma oposição que governa pelo estrondo mediático.

Montenegro, consciente da sua falta de magnetismo e impacto, já se encostou à retórica de Ventura. Não por convicção, mas por desespero. E o que isso nos diz sobre a liderança do país? Que quem manda não é quem foi eleito, mas quem sabe manipular os medos, explorar os ressentimentos e gritar mais alto que todos.

A democracia portuguesa corre o risco de ser sequestrada por quem nunca teve responsabilidade de governar, mas sabe como incendiar os corredores do poder com frases fáceis e inimigos escolhidos a dedo. Ventura não precisa de um ministério – já governa através da influência, da pressão pública e do medo. Ele dita a narrativa, os outros seguem. Ele acusa, e os restantes correm para responder. Ele exige, e Montenegro treme.

Luís Montenegro está a ser engolido pelo buraco negro do populismo.

E a grande ironia? Ao invés de se afirmar como alternativa ao extremismo, Montenegro prefere transformar-se numa sua versão mais lavada, mais tímida, mais previsível. Mas ninguém vence o original com cópias. Ventura sabe disso. E enquanto Montenegro ensaia discursos, Ventura dita os temas. Ele impõe os debates, escolhe os alvos, marca os tempos. O país responde-lhe como se fosse o verdadeiro chefe do executivo. Porque, na prática, é isso que ele já é.

Portugal está a ser governado a partir do megafone da extrema-direita.

A cada dia que passa, Montenegro perde espaço, relevância e autoridade. Ventura cresce à medida que o Primeiro-Ministro se apequena. Um governa no papel, o outro nas redes, nas televisões e nas ruas. E neste novo campo de batalha, Ventura está sempre um passo à frente.

Se Montenegro não encontrar rapidamente a sua voz, será lembrado como o Primeiro-Ministro que governou sob a sombra de outro. E essa sombra tem nome, tem fúria, tem votos — e chama-se André Ventura.

Telfort, 08 de junho de 2025

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