Malundo Kudiqueba
Adalberto da Costa Júnior lançou uma bomba política ao acusar, sem rodeios, o Presidente João Lourenço de o tentar corromper para viabilizar a revisão da Constituição e assim permitir um terceiro mandato presidencial. A acusação é grave. Gravíssima. E o mais alarmante é o silêncio do visado.
Num país onde a democracia ainda luta para amadurecer, onde a confiança nas instituições é frágil e onde o poder parece muitas vezes pairar acima da lei, esta denúncia não pode cair no esquecimento. Quando o líder da maior força da oposição afirma publicamente que o Presidente da República tentou comprar o seu apoio para perpetuar-se no poder, está-se perante um momento crítico da vida política angolana. E esse momento exige esclarecimentos. Urgentes.
Se é mentira, deve ser desmentido. Se é verdade, é um escândalo. Em ambos os casos, o silêncio é cúmplice.
João Lourenço tem a obrigação institucional e moral de reagir. Ignorar a acusação ou tentar abafá-la com a máquina de propaganda é um erro estratégico e histórico. Porque este não é apenas um conflito entre dois políticos – é uma questão de integridade do sistema político angolano.
Adalberto da Costa Júnior afirmou com todas as letras: “Tentaram corromper-me para que eu aceitasse uma revisão constitucional que permitisse um terceiro mandato. Não aceitei.”
Não se trata de um boato. Trata-se de uma acusação direta, frontal, que coloca o Presidente da República no centro de uma tentativa de subversão do regime democrático.
Se João Lourenço não reagir, ficará manchado pela suspeita. E uma suspeita destas não se apaga com discursos bonitos ou visitas internacionais.
A história de Angola está repleta de líderes que se eternizaram no poder à custa de manobras constitucionais. Mas se João Lourenço realmente tenta seguir o mesmo caminho, depois de se apresentar como o “presidente da mudança”, então o país está perante mais uma fraude política com selo de continuidade do passado.
Adalberto da Costa Júnior, ao recusar esse suposto aliciamento, ergueu-se como símbolo de resistência a essa tentação autoritária. Mas também lançou o desafio: agora cabe ao Presidente provar que é diferente. Porque se não o fizer, estará a dar razão ao silêncio que tanto o condena.
A democracia morre quando as acusações graves se tornam rotina e os líderes já nem se dignam a responder.
Angola não pode continuar a fingir que tudo está bem enquanto as fundações do Estado democrático são corroídas por suspeitas que ninguém ousa esclarecer.
Neste caso, o silêncio não é prudência.
É medo.
É culpa.
Se João Lourenço quer manter a honra e a autoridade do seu cargo, deve vir a público. Não com evasivas, não com porta-vozes, mas com a frontalidade que o momento exige. Caso contrário, ficará para a História como o Presidente que tentou comprar a Constituição… e falhou.
Telefort, 08 de junho de 2025.
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