Malundo Kudiqueba
A República Democrática do Congo é um dos países mais ricos do mundo em recursos naturais e, paradoxalmente, um dos mais pobres em qualidade de vida para o seu povo. O presidente congolês parece ter assumido um papel que nenhum líder digno desse nome deveria aceitar — o de gestor colonial dos interesses ocidentais em solo africano. Sob o seu governo, contratos milionários foram firmados com multinacionais estrangeiras, muitas vezes sem transparência, e quase sempre sem qualquer benefício real para o povo congolês.
As jazidas de cobalto, ouro, coltan e diamantes são exploradas por empresas estrangeiras que operam com liberdade total. Enquanto isso, o cidadão comum continua a viver sem acesso a água potável, educação de qualidade ou cuidados de saúde básicos. Não se trata apenas de má gestão. Trata-se de uma cedência descarada da soberania nacional em troca de apoios políticos, económicos e, talvez, pessoais.
O actual presidente da RDC, Félix Tshisekedi, ao que tudo indica, entregou os recursos estratégicos do país nas mãos de interesses ocidentais. Empresas estrangeiras, sobretudo dos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e França, operam livremente nas minas congolesas, extraindo biliões em matéria-prima sem que haja uma redistribuição visível de riqueza para a população local. Onde estão os hospitais, as escolas, as estradas? Onde está o retorno para o cidadão comum?
O que se passa no Congo é mais do que má governação. É uma traição calculada. Um país que deveria ser potência africana está reduzido a um armazém de recursos para as potências estrangeiras. E o seu líder máximo parece mais empenhado em agradar aos interesses externos do que em defender a soberania nacional.
Se dúvidas houvesse sobre quem está por detrás da instabilidade militar que assola o leste do país, os recentes confrontos entre o Congo e o Ruanda dissipam qualquer ingenuidade. O Ruanda, acusado repetidamente de apoiar grupos armados como o M23, age como uma marioneta de interesses geopolíticos maiores. E o silêncio cúmplice da comunidade internacional — sobretudo daqueles que exploram os recursos da RDC — é ensurdecedor.
O conflito não é apenas étnico nem meramente regional. É económico. É geoestratégico. Trata-se de controlar o subsolo congolês, e quem o controla dita o futuro da região.
Quem lucra com a guerra no Congo? Seguramente não é o camponês congolês que foge das balas. Não é a criança que cresce sem escola. Não é a mãe que perde os filhos. São as multinacionais. São os intermediários. São os que alimentam o caos para poder continuar a explorar.
É tempo de os africanos olharem com coragem para os seus líderes e chamarem as coisas pelos nomes. Um presidente que não protege os recursos do seu povo é cúmplice de pilhagem. E um povo que não exige responsabilização está condenado a ser eternamente explorado.
As potências ocidentais, sempre tão prontas a dar lições de moral ao resto do mundo, fecham os olhos aos abusos e à exploração desenfreada. Afinal, desde que o minério continue a sair do Congo e alimentar as suas indústrias tecnológicas e armamentistas, tudo o resto pode ser ignorado.
Cada um que tire as suas conclusões. Mas uma coisa é certa: o Congo é rico. O povo congolês é pobre. E isso não é um acidente — é um projecto político com assinatura bem visível.
Birmingham, 06 de junho de 2025
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