Fonte: Fama & Poder
Prever o futuro de um país como a Guiné-Bissau é como olhar para um rio turvo e tentar adivinhar o que há no fundo. Mas uma coisa é certa: os próximos 10 anos serão decisivos. Seremos uma nação mais forte, justa e estável — ou o povo continuará a ser refém da instabilidade, da corrupção e da pobreza crónica? Não é uma questão de sorte. É uma questão de decisão coletiva, responsabilidade política e mobilização social.
Se nada mudar — se os mesmos grupos continuarem a revezar-se no poder sem um verdadeiro compromisso com o povo — a situação pode piorar.
Mais jovens vão abandonar o país. Mais recursos serão desviados. Mais golpes, mais intrigas políticas e mais desilusão.
O país corre o risco de tornar-se um Estado permanentemente suspenso entre o possível e o impossível.
A educação continuará precária. A saúde pública continuará dependente da caridade internacional. O funcionalismo público continuará com salários em atraso. E o povo, esse povo generoso e paciente, pode perder o pouco que ainda resta: a esperança.
A Guiné-Bissau tem tudo para ser uma potência de paz e cultura na África Ocidental:
- Um povo jovem, criativo e resiliente;
- Terra fértil, recursos naturais e posição geográfica estratégica;
- Uma herança cultural rica que poderia impulsionar o turismo e a diplomacia cultural.
Se os próximos 10 anos forem aproveitados para reformar o Estado, investir na educação, apoiar o empreendedorismo local e despartidarizar as instituições, podemos finalmente começar a construir um país digno de Cabral.
Mas isso exige vontade política verdadeira. Exige que a juventude saia do papel de vítima e assuma o papel de protagonista. Exige que a sociedade civil seja mais forte do que os interesses privados. Exige que quem rouba o Estado sinta medo — e não orgulho.
A Guiné-Bissau pode ser, em 2035, um país mais estável, educado, com jovens a criar empresas e cultura a ser exportada para o mundo.
Mas também pode ser, infelizmente, um país vazio, doente, esquecido por todos — inclusive por si próprio. Por isso, o debate não é se o futuro será melhor ou pior.
A resposta está a ser construída hoje — nas escolhas de cada cidadão, nas decisões de cada político, e no silêncio (ou grito) de cada um.
Birmingham, 05 de junho de 2025
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