Malundo Kudiqueba
Portugal tem pouco mais de 10,3 milhões de habitantes. Desses, 175 mil são milionários. Mas não se iluda: a riqueza de alguns não apaga a pobreza dos muitos. O país onde idosos escolhem entre aquecer a casa ou comprar medicamentos é o mesmo onde há quem tenha casas em Lisboa, iates no Algarve e contas recheadas na Suíça. O fosso entre o luxo e a luta diária nunca foi tão escandaloso. Portugal é neste momento um país onde o sucesso é privatizado e o fracasso é socializado.
É um país onde os lucros sobem de elevador e os salários continuam a subir pelas escadas.
A desigualdade tornou-se um estilo de governo, e a distribuição de riqueza um conto de fadas pós-moderno. Portugal continua a aplaudir os ricos, mesmo quando estes bebem champanhe à custa do esforço dos trabalhadores mal pagos.
Como pode um país onde metade da população sobrevive com menos de mil euros por mês ter 175 mil milionários? A resposta é simples: o sistema funciona… mas apenas para alguns.
É um jogo de escadas onde uns sobem à custa das costas dos outros.
O país do salário mínimo e dos lucros máximos.
Portugal tem dos salários mínimos mais baixos da Europa, mas o número de milionários cresce ano após ano. Não se trata de mérito — trata-se de mecanismo.
O mérito virou desculpa para manter privilégios.
Enquanto o trabalhador acorda às cinco da manhã para ganhar 800 euros, há quem lucre 800 mil a dormir.
Não é inveja, é indignação.
A elite económica portuguesa, muitas vezes protegida por benefícios fiscais, compra casas a pronto, enquanto jovens licenciados vivem com os pais até aos 35 anos.
A juventude trabalha, estuda e esforça-se… mas continua sem lugar no país que constrói.
O luxo de poucos e a luta de muitos.
Quando vemos 175 mil milionários num país com 10,3 milhões de pessoas, não podemos fingir que vivemos numa sociedade justa.
Isso significa que, por cada 63 portugueses, um é milionário. E mesmo assim temos listas de espera nos hospitais, escolas degradadas e pensões miseráveis.
O país não é pobre. É roubado.
Portugal não é pobre. Portugal foi empobrecido por políticas que protegem fortunas e esquecem pessoas.
O problema não são os milionários.
O problema é a pobreza ao lado deles — e a indiferença com que convivem.
Um país com 175 mil milionários e 2 milhões de pobres não é um país desigual. É um país em crise.
Segundo o Global Wealth Report (por exemplo, da Credit Suisse ou UBS), Portugal tinha:
- 171.000 milionários em 2023
- 175.000 milionários em 2024
Ou seja, houve um aumento de 4.000 milionários num ano, o que representa um crescimento anual de aproximadamente 2,34%. Com ritmos entre 3,5% e 4% ao ano, Portugal poderá alcançar ou até ultrapassar os 500 mil milionários até 2050.
E mais não digo!
Birmingham, 02 de junho de 2025.
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