Por Malundo Kudiqueba
Donald Trump voltou ao palco da política norte-americana com a subtileza de um furacão numa feira de ciência. E como sempre, voltou com polémica. Desta vez, entre insultos e meias-ameaças, deixou no ar a ideia de que Elon Musk, o bilionário sul-africano, poderia — ou deveria — ser expulso dos Estados Unidos.
Mas se é para falar de estrangeiros nos EUA, Trump devia começar em casa. A sua mulher, Melania Trump, é eslovena e é tão estrangeira quanto Musk. Por que razão Melania merece ficar e Musk merece ser expulso? O amor é critério de imigração? A arrogância é agora causa para deportação?
Elon Musk pode ser polémico, excêntrico, contraditório — mas ninguém pode negar a sua utilidade para os EUA. Fundou empresas que mudaram o mundo: PayPal, Tesla, SpaceX, Neuralink. Criou emprego, inovou a mobilidade, levou os EUA de volta ao espaço. E fê-lo sob a bandeira americana. Expulsá-lo seria um acto de burrice estratégica, típico de quem confunde patriotismo com populismo barato.
Vamos fazer um exercício de imaginação, que Trump claramente não fez.
E se Elon Musk for para:
- Rússia, onde teria financiamento estatal para revolucionar a tecnologia militar e aeroespacial?
- China, onde poderia liderar a corrida pela supremacia digital e energética?
- Ou África do Sul, sua terra natal, onde poderia transformar o continente com energia solar, carros eléctricos acessíveis e talvez até candidatar-se à presidência?
Imagina Elon Musk presidente da África do Sul?
Um bilionário com visão global, recursos ilimitados e sede de protagonismo.
Poderia unificar a região, criar a moeda digital africana e tornar Pretória numa mini Silicon Valley. Se os EUA acham Musk arrogante, outros países achá-lo-ão genial.
Trump confunde liderança com espetáculo, e nacionalismo com capricho.
A grandeza dos Estados Unidos nunca esteve em fechar portas, mas em abri-las a quem tem algo para oferecer.
Elon Musk não é um hóspede. É parte do mobiliário moderno da América. Faz parte da sala, da garagem e até do telhado.
Se Trump quer purificar a América, que comece por limpar o discurso.
Se quer dar o exemplo, que expulse a mulher por uma questão de coerência.
Birmingham, 01 de junho de 2025
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