Para os pré candidatos do MPLA: Criticar João Lourenço não é um programa de governo

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Por Malundo Kudiqueba

Fingir que tudo se resume a um homem é reduzir décadas de corrupção sistémica a um bode expiatório conveniente. É querer mudar a cortina sem tocar nas fundações podres da casa. Atacar o Presidente sem questionar o sistema é uma farsa. Criticar o Chefe de Estado tornou-se o novo programa de governo.

Estamos a viver tempos caricatos em Angola. Parece que basta dizer “João Lourenço está a destruir o país” para alguém se sentir imediatamente apto a ser o próximo Presidente da República.Assistimos ao surgimento de uma nova vaga de “pré-candidatos” todos convencidos de que por apontarem os erros de João Lourenço, isso já os torna automaticamente mais competentes para liderar o país. É um delírio colectivo alimentado pela desilusão popular e pela vaidade pessoal.

Em Angola há poucos partidos estruturados, não há debates ideológicos sérios, não há propostas com começo, meio e fim. Criticar é fácil. Governar, não. João Lourenço pode ter mil defeitos mas também tem um partido com presença em todo o território, uma máquina político-administrativa e o poder real nas mãos. Quem o critica com seriedade, merece respeito. Mas quem usa a crítica como escada para a auto-proclamação messiânica, precisa urgentemente de um espelho.

E há aqui uma ilusão perigosa: achar que basta ser contra o poder para ser alternativa ao poder. Isso não é política, é vaidade com disfarce revolucionário.

Não basta dizer “João Lourenço é incompetente”. Isso qualquer criança no bairro já diz. O que propõe o “pré-candidato”? Como é que vai resolver os problemas da Sonangol, os esquemas nos tribunais, o desemprego, a educação podre e a saúde agonizante? O problema não é criticar. É não saber o que fazer depois de criticar.

Por isso, deixo um alerta aos angolanos: desconfiem de quem só aparece para dizer que o país está mal, mas não apresenta um caminho claro. E aos críticos de João Lourenço com ambições presidenciais, uma sugestão sincera: Antes de falarem ao país, organizem-se. Apareçam com propostas, Trabalhem, estudem, pensem. Ou então, façam-nos um favor: calem-se e voltem quando estiverem prontos. A democracia precisa de vozes críticas, sim. Mas também precisa de líderes sérios. E esses, até agora, estão em falta.

Birmingham, 30 de junho de 2025.

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