Por Malundo Kudiqueba
Há limites para tudo — até para a vaidade. E quando a ambição pessoal se transforma em chantagem pública, o que era apenas caricato torna-se ofensivo. O chamado “Rei Hélder”, figura do entretenimento angolano, decidiu exigir condecoração do Presidente da República, usando uma mistura de dramatismo, vitimização e pressões de bastidores. Diz que o “povo” pediu. Mas qual povo? O único que se ouviu foi o seu amigo K2, que tenta meter cunha em nome de um país inteiro. Isto não é patriotismo — é teatro. Um teatro pobre, onde se confunde mérito com bajulação.
Ninguém tem o direito de pedir a sua própria medalha. A honra não se exige — conquista-se.
Rei Hélder afirma ser merecedor de uma distinção presidencial, mas faz da exigência um espetáculo público de chantagem emocional. E o mais grave: transforma o Presidente João Lourenço num alvo de pressão pública, como se o chefe de Estado estivesse obrigado a premiar quem grita mais alto.
Imagina que todos os angolanos começassem a chorar em público para serem condecorados. O que seria do país? Um desfile de carência? Um concurso de bajulação?
Pergunto: um artista consagrado como o Rei Hélder não consegue comprar um bilhete de avião para regressar a Angola? Precisa que Bento Kangamba lhe envie o bilhete? Isto é uma vergonha. Se é mesmo Rei, que se comporte como tal — com dignidade, não com mendicância.
E aqui tocamos num ponto sociológico mais profundo: o angolano foi ensinado a pedir. A pedir tudo. Pede emprego, pede cargo, pede viagem, pede ajuda, pede reconhecimento, pede palmas. Não constrói caminhos — implora atalhos. Esta mentalidade de pedinte é um dos maiores entraves ao progresso do país. O angolano não foi educado para exigir direitos com base em trabalho, mas para implorar favores com base em amizades.
Vivemos numa cultura onde muitos querem recompensa sem esforço, reconhecimento sem mérito, poder sem responsabilidade.
Quem merece condecoração, que continue a trabalhar. Quem serve o país com seriedade, será um dia reconhecido — pelo povo, pela história ou pelo Estado. Mas fazer chantagem emocional ao Presidente é ultrapassar os limites do bom senso. É querer transformar um acto de Estado em moeda de vaidade pessoal.
João Lourenço é Presidente da República, e não deve ser coagido, pressionado ou manipulado por quem quer aplausos fáceis. Governar é decidir com base no mérito, não com base na choradeira pública.
A condecoração não é um pedido. É uma honra. E quem a pede, já mostrou que não a merece.
Birmingham, 26 de Junho de 2025.
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