Por Malundo Kudiqueba
Antes de mais, com todo o respeito que tenho pelo artista Hélder, mais conhecido como “Rei Hélder”, permitam-me uma pequena correção de título: um rei que não consegue comprar um bilhete de avião para regressar ao seu próprio reino não é rei — é Mendigo Hélder. Chamemos as coisas pelo próprio nome.
Mas vamos ao ponto mais curioso e, ao mesmo tempo, mais preocupante desta história nacional. Mas o general Bento Kangamba virou banco? Banco central? Banco comercial? Banco de favores? Banco do povo? E vocês não dizem nada!!!
Pergunto-me — e pergunto-lhe directamente: General Bento Kangamba, o senhor agora é o novo Banco Nacional de Angola? Já há fila para crédito pessoal junto de Vossa Excelência? Há formulário? Taxa de juros? Ou é só dizer que tenho muitos seguidores nas redes sociais?
Porque se for assim, caro General Bento Kangamba, eu também gostaria de abrir uma conta. Mas com transparência! Só peço uma coisa: publique, por favor, os critérios de selecção para os beneficiários dos seus financiamentos privados. É por ordem de fama, de choro público, de número de seguidores, de bajulação ou de necessidade real?
Aparentemente, há uma nova instituição no país: o NOVO BANCO DE NOME BENTO KANGAMBA. Um banco onde se pede de tudo: bilhetes de avião, roupas, carros, casas, cargos, aplausos e, se calhar, até condecorações. Um banco que, curiosamente, não exige garantias, mas exige bajulação. Quem elogia, levanta o cheque. Quem critica, sai sem saldo.
Este fenómeno, mais do que cómico, é trágico. Porque revela um traço estrutural e preocupante da nossa sociedade: a dependência crónica. Angola tornou-se um país onde se pede mais do que se produz. Onde as figuras públicas não se preparam para servir o povo, mas para serem servidas pelos amigos com influência. E, pior, onde o mérito deu lugar ao favor.
O problema não é só do Rei Hélder, nem só do general Kangamba. O problema é de mentalidade. É esta cultura de dependência, onde toda a gente conhece alguém que conhece alguém que vai “desenrascar”, que vai “resolver”, que vai “tratar do assunto”. Mas ninguém resolve nada para o país — só para o bolso.
Se Bento Kangamba quer mesmo ser banco, que se registe no BNA, crie o Banco Kangamba de Desenvolvimento Nacional (BKDN) e ponha o país inteiro a solicitar crédito com regras claras, auditorias públicas e contas publicadas. Agora, financiar celebridades em nome do povo, enquanto o povo continua a viver sem água, sem luz e sem escola, é brincar com a inteligência dos angolanos.
E já agora, uma sugestão: se o novo banco de Kangamba tiver aplicação digital, que inclua um botão “Pedir com Lágrimas”.
Porque, infelizmente, Angola é um país onde muitos ainda preferem ajoelhar-se perante os generais do favor do que levantar-se com dignidade pelo seu próprio esforço.
Birmingham, 26 de Junho de 2025.
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