Não Vamos Importar o Ódio da Direita Radical Europeia para Angola

President of the far right rassemblement national (rn) parliamentary group marine le pen poses prior to an interview on the evening news broadcast of french tv channel tf1, in boulogne billancourt

Malundo Kudiqueba

Nos últimos tempos, tenho escutado, com inquietação, angolanos a imitar discursos radicais contra estrangeiros no nosso país. É como se fosse um novo “produto europeu” que muitos querem copiar, sem sequer perceber o perigo. Sim, criticar estrangeiros está na moda, é popular, e até parece que dá votos. Mas atenção: na política, não vale tudo. Há fronteiras éticas que nunca se devem ultrapassar.

Vamos dizer as coisas como são:
Os estrangeiros em Angola não são os culpados da nossa situação.
Os culpados são os políticos angolanos que, há décadas, abandonam o seu próprio povo.
São os líderes que discriminam os angolanos pobres porque carregam um complexo de inferioridade diante do estrangeiro.

Não vamos importar o ódio. Angola já tem ódio suficiente. Angola já tem exclusão suficiente. Angola já tem injustiça suficiente. O que Angola precisa de importar é competência, seriedade e amor pelo seu próprio povo.

Tenho visto alguns angolanos a repetir os discursos da extrema-direita portuguesa, como se fossem verdades universais. Discursos que defendem fechar fronteiras, expulsar imigrantes, levantar muros e espalhar o medo. Vamos com calma. O que pode ser popular na Europa não se pode aplicar cegamente em Angola. Copiar radicalismos não é progresso, é suicídio social.

Xenofobia não é desenvolvimento. Racismo disfarçado de patriotismo não é solução. O nacionalismo cego é um caminho para o desastre.

É fácil fazer política a criar inimigos. É fácil apontar o dedo aos mais frágeis. Mas é mais difícil — e mais nobre — construir soluções e unir um país dividido.

Os estrangeiros que trabalham no mercado, que tentam sobreviver em Angola, não são os nossos inimigos. O inimigo é o sistema de corrupção. O inimigo é a má governação. O inimigo é a exclusão praticada pelo próprio poder político.

Não transformemos Angola num laboratório de ódio importado. O que precisamos é de criar uma Angola justa, inclusiva, para todos os angolanos e para todos os que queiram viver e contribuir honestamente para o país.

Angola merece mais. Angola merece inteligência. Angola merece líderes com coragem para enfrentar os verdadeiros problemas, não líderes que importam o medo.

Se é para importar algo, que seja a capacidade de criar, de pensar e de cuidar.
Se é para copiar algo, que seja a competência, não a intolerância.
Se é para popularizar algo, que seja a justiça, não o preconceito.

Não vamos importar o ódio da direita radical europeia para Angola. Vamos importar soluções. O nosso povo merece isso.

Birmingham, 22 de junho de 2025.

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