O IRÃO SERÁ A PRÓXIMA LÍBIA: O ROTEIRO ESTÁ A REPETIR-SE

Durao barroso thum

Israel e os Estados Unidos parecem decididos a fazer ao Irão o mesmo que fizeram a Saddam Hussein e a Muammar Kaddafi. O plano é conhecido: eliminar a liderança atual, substituir por um governo amigo, e claro, garantir que o petróleo iraniano flua a preço de saldo para as grandes potências. O resto do mundo? Assiste ou aplaude. Como sempre.

A União Europeia: Sempre Cúmplice, Sempre Submissa

A União Europeia é perita em dizer que defende os direitos humanos, mas sempre que os Estados Unidos precisam de um parceiro para legitimar as suas guerras, lá está a Europa — de caneta na mão, pronta para assinar a sentença.

Foi assim no Iraque, com a bênção de Durão Barroso. Foi assim na Líbia, onde a NATO transformou o país mais desenvolvido de África num campo de terroristas. E agora, Ursula von der Leyen já estendeu o tapete vermelho para mais um capítulo de submissão. Israel e os Estados Unidos já têm luz verde para destruir o Irão, com a cumplicidade europeia.

O Pretexto: Os de Sempre

Hoje dizem que o Irão é uma ameaça global. Ontem diziam que Saddam Hussein tinha armas de destruição maciça. Antes disso, Kaddafi era o demónio que precisava de ser removido. É sempre o mesmo argumento reciclado, sempre o mesmo teatro, sempre a mesma hipocrisia.

Curiosamente, o Irão está cada vez mais próximo dos BRICS — e isso não é coincidência. O Ocidente não perdoa independência económica. Quem foge ao dólar, quem se aproxima da China ou da Rússia, torna-se automaticamente uma ameaça. O Irão entrou para os BRICS, e isso irritou Washington e Telavive mais do que qualquer programa nuclear.

Se Israel pudesse, também atacaria a África do Sul pelo processo que moveu contra eles sobre o genocídio em Gaza.

Se o Irão fosse a África do Sul, talvez tivesse alguma margem de manobra. Mas no xadrez geopolítico, a África do Sul ainda sobrevive porque o custo político de a atacar seria demasiado alto — por agora. Mas não nos enganemos: quem não entrega recursos de mão beijada está sempre na linha de fogo.

O mundo já viu este filme e continua a pagar bilhete.

O Ocidente destrói países e depois manda ajuda humanitária.

A União Europeia é hoje o braço diplomático das guerras americanas.

Quem desafia o dólar, desafia o sistema — e o sistema responde com bombas.

O Irão será a próxima Líbia? O próximo Iraque? Tudo indica que sim. Porque quando os interesses estratégicos falam, os direitos humanos calam-se. Quando o petróleo está em jogo, a soberania dos povos torna-se descartável.

Não é guerra pela paz. É guerra pelo poder. E a União Europeia, mais uma vez, não será inocente. Será cúmplice.

Malundo Kudiqueba

Manchester, 20 de Junho de 2025.

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